Opinião

Violência contra a mulher liga botão do pânico e alerta a sociedade

Na Assembleia Legislativa, os deputados aprovaram nesta terça-feira projeto que estende aos idosos em situação de violência doméstica e familiar o direito ao chamado “botão do pânico”. A atual legislação prevê este dispositivo apenas para as mulheres em condição de risco. São muitas as denúncias de maus tratos a idosos que não tem chances de se defender das agressões sofridas geralmente por membros da própria família.



Com o acionamento do aparelho do “botão do pânico”, que deve ser fornecido pelo Estado às mulheres ameaçadas de violência, um alarme será disparado em uma central onde os equipamentos deverão ser monitorados 24 horas por dia. Esse sistema tem condições de indicar precisamente a localização da mulher em situação de perigo. Após esse acionamento, uma viatura deverá ser destacada imediatamente para atender a ocorrência.

Ainda sobre a violência contra a mulher e a necessidade da ampliação da rede de apoio às vítimas no Paraná a Alep debateu exaustivamente o tema que contou com a participação de uma vítima de violência que falou sobre a importância de estimular as mulheres a denunciarem qualquer tipo de agressão. A Comissão quer saber se a mulher está recebendo toda a orientação necessária para denunciar e superar um caso de violência.

Segundo a presidente da Comissão, deputada Cantora Mara Lima (PSC), “a Comissão da Mulher tem uma missão que é poder ouvir essas mulheres que vêm com suas queixas e encaminhar aos órgãos competentes. A coragem dessa moça é extrema, pois poucas mulheres têm tanta coragem quando se trata de denunciar um agressor. Indiferente do nível social, muitas mulheres têm medo de falar por vergonha, por medo, por falta de coragem e aqui a gente ouviu hoje uma mulher corajosa e a gente tem que ouvir tantas quantas nos procurar”.

A jornalista Giulianne Kuiava participou da reunião para relatar as dificuldades que enfrentou para levar adiante a denúncia da agressão que sofreu e a da repercussão, entre as mulheres também vítimas de alguma violência, depois que o caso dela foi tornado público. “Eu recebi tanto apoio, coisa que eu nem esperava nessa proporção, que virou uma causa de todas, não mais uma causa só minha, não é uma causa da Giulianne que foi agredida por uma pessoa. É a causa de tantas mulheres que estão sendo agredidas por tantos homens. É em prol da união das mulheres e dos homens bons que a gente fala aqui, para que a gente tente mudar uma cultura machista, para que a gente consiga combater a violência contra a mulher quando ela ainda é psicológica antes de deixar chegar na violência física e no feminicídio.”

O caso da jornalista veio a público e o agressor, o também jornalista Denian Couto foi demitido da RIC TV e responderá processo de intimidação e ameaça, inclusive de morte, na justiça.

Giulianne destacou ainda a importância das mulheres vítimas de violência contarem com uma rede de apoio adequada e também com o acolhimento de amigos e familiares. “A rede de apoio que eu falo é de pessoas no teu círculo que muitas vezes não olham para o seu problema, que muitas vezes dizem que é um problema particular. A violência contra a mulher não pode mais ser tratada como um problema particular. O mais importante é as pessoas do teu círculo olharem para você com compaixão, te pegarem pela mão e te levarem na delegacia para fazer um boletim de ocorrência.”

A Comissão decidiu encaminhar um requerimento à Secretaria de Estado de Segurança Pública solicitando informações sobre o andamento dos processos de violência contra a mulher e também uma conversa com as delegadas da mulher sobre a estrutura disponível para atendimento dessas vítimas.

Pedro Ribeiro

Pedro RibeiroPedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.

Facebook Comments
Compartilhe: