Cidades

UTI fechada preocupa lideranças da região

Para funcionar, unidade instalada há mais de dois anos no Hospital Regional do Norte Pioneiro depende de decisão da justiça

A judicialização do processo licitatório para escolha da empresa que vai gerir a Unidade de Terapia Intensiva (UTI adulta), do Hospital Regional do Norte Pioneiro (HRNP), está preocupando as autoridades e lideranças da região porque torna o quadro indefinido, enquanto pacientes em estado grave são transferidos para outras regiões visando atendimento especializado.



Este foi o caso esta semana da deficiente Amanda Oliveira Silva, de 25 anos. Por conta da baixa imunidade ela foi acometida por uma sepsia (infecção generalizada). O único meio para salvar sua vida seria tratamento intensivo numa UTI, mas como o HRNP tem uma novinha em folha, mas fechada, a única saída foi transferi-la para Ourinhos (SP), onde está internada na unidade de tratamento intensivo do Hospital Unimed, para alívio da família, fora de perigo.

A História de Amanda é uma sucessão de erros que comprometeram o resto de sua vida. Vítima de uma meningite quando tinha apenas um ano, e por conta de erros no tratamento médico, acabou adquirindo graves sequelas que a deixaram paralítica, presa a uma cama por todo este tempo. Ela não enxerga, não fala e alimenta-se por sonda. Vive num cômodo na casa dos pais, o comerciante Paulo Alves da Silva e a mãe, a dona de casa Sandra Oliveira Silva, depende de vários equipamentos que a mantém viva.

Mas o caso desta deficiente é apenas mais um dos absurdos de uma região conhecida como exportadora de doentes por falta de estrutura no setor de saúde. “A situação só não está pior porque temos a UTI da Santa Casa de Jacarezinho, com 12 leitos, mas insuficiente para atender a demanda regional de mais de 200 mil habitantes”, observa o empresário Marcelo Palhares, de Jacarezinho, que esteve recentemente com o governador Ratinho Junior (PSD), a quem diz ter relatado as mazelas do Norte Pioneiro.

Segundo ele, uma das alternativas para corrigir essas distorções seria a instalação do curso de Medicina da UENP na região da Amunorpi. “Esse curso proporcionaria as condições para a instalação de várias especialidades médicas em nossa região”, assinala.

Centro de especialidades

O prefeito de Ribeirão Claro, Mario Augusto Pereira é outro inconformado com a situação. No início da próxima semana ele vai integrar um grupo de lideranças do Norte Pioneiro que vai levar essas reivindicações ao governador Ratinho Junior.

Outra preocupação de Mario Pereira refere-se ao Centro Regional de Especialidades Médicas, já aprovado e licitado, mas enfrentando uma série de problemas para ser viabilizado. O empreendimento será administrador pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi) e vai dotar a região de toda estrutura de atendimento especializado, mas dificuldades surgem do nada dando a impressão de que há interesses políticos para que a obra não saia.

Caso Amanda vai parar na justiça

Apesar do alívio pela evolução positiva do estado de saúde da filha Amanda, o comerciante Paulo Alves da Silva não volta atrás em responsabilizar a secretária municipal de Saúde, Ana Micó de negligência que resultou no agravamento do estado de saúde da deficiente. Ele quer que o Ministério Público (MP) investigue a secretária por improbidade administrativa.

Paulo Alves, que reside em Santo Antônio da Platina, denunciou o caso na terça-feira (15) ao Núcleo do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), órgão do Ministério Público.

Por decisão da justiça, o Município de Santo Antônio da Platina é obrigado a fornecer todos os medicamentos que a paciente necessita, bem como disponibilizar pessoal técnico para realizar aplicações de medicamentos que exijam perícia técnica. Silva alega que na segunda-feira (14) ele foi até o Centro Social Urbano (CSU) para requerer ao município os medicamentos e insumos necessários à filha, bem como a aplicação domiciliar dos remédios. Porém, segundo ele, por ordem da secretária municipal de Saúde, Ana Cristina Micó, apenas o medicamento foi disponibilizado, não sendo autorizados os equipamentos necessários nem o profissional para ministrar o remédio, razão pela qual Amanda precisou ser levada ao Hospital Nossa Senhora da Saúde, onde os médicos constaram que a jovem estava com infecção generalizada.

De acordo com prontuário médico apresentado à família na terça-feira (15), Amanda foi diagnosticada com quadro de sepse por infecção epitelial e anemia severa, febre elevada e dispneia (necessitando de oxigênio).

O documento foi anexado à denúncia feita ao Gepatria por Paulo Alves da Silva, que pede ao órgão investigação por improbidade administrativa, supostamente praticado pela secretária Ana Micó.

Amanda foi transferida para UTI particular em Ourinhos, enquanto HRNP matem 12 leitos fechados (Divulgação)

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