Opinião

Um alerta a Ratinho Junior: O perigo pode estar na sala ao lado

Imagem: AEN

Os governantes, muitas vezes, não sabem o que acontecem à sua volta com as pessoas que foram se aproximando e conquistando sua amizade. Se mostram leais, serviçais, mas usam o nome do governante, sem autorização, para fazer negociatas. Muitos são donos de empresas prestadoras de serviços para o governo e usam nomes de laranjas. As vezes até pressionam escalões inferiores. Aí mora o perigo e veja o que aconteceu com Beto Richa. Pente fino nessa turma, governador, sem dó e piedade.



Ninguém duvida da boa intenção do governador do Paraná, Ratinho Junior em enxugar a máquina, reduzir as despesas do Estado e ter mais dinheiro para investimentos necessários em obras de infraestrutura. Esta, aliás, é a pretensão de todos os que assumem cargos executivos. Somente com recursos disponíveis para investimentos conseguem fazer uma administração minimamente razoável, mesmo depois da pilhagem que aconteceu no Paraná no governo anterior de Beto Richa, duas vezes preso e hoje às voltas com explicações para dar à Justiça.

Se o governo pretende levar à fundo sua intenção, deveria começar a investigar as empresas e órgãos estatais, autarquias e companhias de economia mista. Determinar à corregedoria do Estado para fazer um pente fino sobre esse carnaval que é a prestação de serviços terceirizados para esses órgãos e empresas. Não ter dó nem piedade, chamar o Ministério Público e o próprio Gaeco para auxiliar na tarefa de investigação. Provavelmente vai se deparar com várias empresas prestadoras de serviços que são geridas por laranjas, mas que na realidade pertencem a diretores e funcionários dessas empresas e desses órgãos, a assessores do governo ou de algum político.

Essa terceirização de serviços que hoje existe em quase todas as áreas encoberta muita coisa estranha, é preciso passar o Estado à limpo, identificar, exonerar dos cargos e punir eventuais diretores nomeados ou mesmo funcionários públicos de carreira vinculados a esse esquema, protegidos por laranjas. Deve sobrar dinheiro em caixa desses órgãos e essas empresas para oferecer à população serviços de melhor qualidade e a preços mais justos, consonantes com o momento de crise econômica que também castiga as famílias paranaenses.

Empresas terceirizadas, geridas por laranjas de agentes públicos ou não, são as que mais oneram as tarifas dos serviços prestados à população. É uma prática escandalosa de gestão, não há como se falar em modernização da máquina do Estado sem que esse assunto seja devidamente tratado e essas empresas e órgãos passem por uma reformulação completa nem seus modelos de gestão. Só assim pode-se falar em tornar o Paraná um exemplo de eficiência na qualidade dos serviços públicos e em um Estado referência em inovação tecnológica, como estaria pretendendo o governador.

É preciso fazer mais do que está sendo feito, de reduzir o número de secretarias, enxugar o número de cargos comissionados, submeter as finanças do estado a uma auditoria rigorosa e não ceder aos apelos fisiológicos e patrimonialista de deputados ou demais lideranças políticas. É preciso que se coloque lupa sobre essas administrações, também submete-las a uma auditoria externa, isenta, imparcial e eficiente, sem conluios com quem quer que seja, para que o Estado tenha capacidade de montar uma máquina azeitada e preparada para melhor servir sua população.

E tratar ainda de dispensar servidores em cargos comissionados que tem preguiça de trabalhar e acham que aumentando as tarifas e o número de outras empresas terceirizadas vai garantir uma gestão saudável. Se permanecerem nessa toada só vão aumentar o desperdício de dinheiro, encarecer as tarifas e agigantar o tamanho do Estado, de pouco vai adiantar todo o esforço restante que se faz para racionalizar e tornar a máquina eficiente. Essa prática só é boa para quem dela se beneficia. Seria interessante se o governador, além da lupa, voltasse seus olhos para este assunto.

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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