Política

Temer se diz pronto para a transição e sugere reforma da previdência ainda este ano

Reprodução twitter

Em Curitiba, onde recebeu prêmio da Associação Comercial do Paraná, o presidente Michel Temer disse que já se prepara para a transição, seja qual for o presidente eleito, e que quer debater com seu sucessor a possibilidade de encaminhar a reforma da previdência ainda neste ano. Temer criticou, no entanto, declarações de candidatos contra o teto dos gastos públicos e a reforma trabalhista, aprovados em seu governo.



O presidente da República recebeu o Prêmio Cidadania ACP “pelos esforços pelo avanço das indispensáveis reformas levadas a efeito sob sua gestão”. Em palestra após a homenagem, o presidente fez balanço de seu governo e deixou o panorama político, econômico e institucional do país, num momento quase que de transição, que diz pretender fazer com a maior tranquilidade. “Já estamos nos organizando para transmitir ao que for eleito não só o que foi feito em nosso governo, bem como o que temos que fazer. Transição que eu não tive, pois quando eu cheguei nem tinha ninguém lá para me passar as informações necessárias para o cargo”.

Michel Temer afirmou que, durante a transição, conversará com o presidente eleito sobre a reforma da previdência e a reforma tributária, que, segundo ele, já estão prontas para ir ao Congresso e dependeriam apenas da vontade do novo presidente. “Todos sabemos que a previdência causa um deficit extraordinário não só para a União, mas para estados e municípios. Ou nós enfrentamos logo isso, ou teremos dificuldades insuportáveis lá na frente. Num dado momento, só teremos dinheiro para pagar servidor público e aposentados, não haverá recurso para mais nenhum investimento no desenvolvimento do país. A reforma é para tirar os privilégios, equiparar setor privado e setor público. Era uma reforma que eu completaria, se não fosse uma trama montada lá atrás que nos impediu, certamente por conta dos privilégios. Se o presidente eleito estiver disposto, vamos ao Congresso e vamos encaminhar essa matéria, porque o texto da reforma da previdência está pronto. Assim como a reforma tributária, também temos condições de fazer esse ano. Seria um fecho extraordinário do meu governo, que trouxe o Brasil para o século XXI”.

Temer disse que seu governo deixará a marca das reformas que, segundo ele, trouxeram o Brasil para o século XXI. Citando ter governador com base nos conceitos da responsabilidade fiscal e responsabilidade social, ele aponta o teto dos gastos públicos e a reforma trabalhista como grandes marcas de sua gestão, dizendo ter conseguido aprovar as propostas por conta da aposta no diálogo com o Congresso e com a sociedade. “A aprovação do teto dos gastos públicos por amplíssima maioria é o marco dessa responsabilidade fiscal, pois a primeira coisa que identificamos foi o grande deficit das contas públicas. Propusemos o tempo de 20 anos, revisável em 10 anos, para não ser uma medida populista, teto agora e tudo liberado depois. Não se pode enaltecer a ideia de que ano que vem vão revisar esse teto. Claro que todo o governante quer gastar. Mas afirmar isso é uma falta de responsabilidade institucional de quem declara que vai eliminar o teto. Eliminar para que? Para gastar à vontade? Para fazer medidas populistas? Para levar o País à situação que peguei, de PIB negativo?”, criticou.

Ele também criticou as propostas de revisão da reforma trabalhista. “Também tivemos muito diálogo com a sociedade. E o melhor exemplo é a reforma trabalhista, em que tiramos o Brasil do século passado e trouxemos para o século XXI, porque a legislação era antiguíssima e geradora dos maiores bloqueios e toda a litigiosidade trabalhista que se estabelecia entre empregado e empregador era prejudicial às relações sociais. Aprovamos a reforma trabalhista e a terceirização, que era uma revindicação antiga do setor produtivo depois de seis meses de debates com as organizações, tanto de empregadores quanto de empregados. Foi sem traumas que fizemos uma grande reformulação trabalhista no país e sem tirar um direito do trabalhador. É desfaçatez o candidato dizer que eu tirei direitos trabalhistas. Por isso que gravo vídeos para desmenti-lo”.

O presidente ainda ironizou os movimentos contra e, recentemente, em tom de brincadeira, a favor de seu governo. “Fizemos tudo isso sem traumas. Passados os primeiros quatro ou cinco meses de maior tensão nas ruas, foi tranquilo. Claro que ainda tem uma meia dúzia que, onde você vai solta o Fora Temer, se bem que ,agora, tem o Fica Temer. Mas é saudável, o interessante é a compreensão do espírito democrático. Sem democracia não há caminho possível para as liberdades individuais e para o desenvolvimento do país”.

*Roger Pereira, Cristina Seciuk – CBN Curitiba e Francielly Azevedo – CBN Curitiba

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