Opinião

Sanepar quer aumentar a tarifa da água em vez de se modernizar

Estamos acompanhando no dia a dia o esforço do governador Ratinho Junior no sentido de cortas gastos com a diminuição do número de secretarias, redução de pessoal e outras ações que venham, no futuro, resultar em economia de mais de 20% nas despesas públicas. Ótimo. Agora, será que o governador tem conhecimento de uma medida como esta, da Sanepar, que, em poucos mais de 30 dias de governo já quer aumentar o preços da tarifa da água? Pelo jeito, todo o esforço de Ratinhoi Junior pode virar água.



É inacreditável como gestores públicos são seduzidos sempre pela maneira mais simples e fácil de resolver problemas orçamentários de órgãos e empresas a pretexto de aumentar a eficiência e o equilíbrio financeiro. Nunca acontece de um deles assumir o cargo consumindo tempo para se aprofundar em cada detalhe do órgão ou da empresa que estão sob seu comando. Parece que são tomados de uma ansiedade febril em querer logo mostrar serviço sem gastar neurônios em pensar como planejar e readequar as administrações de forma a fazer com que o serviço prestado chegue à população com qualidade e menor custo de suas tarifas.

O presidente da Sanepar, Cláudio Stábile está há pouco mais de um mês no cargo e já anuncia que pretende elevar a tarifa de água definida em 2017 no índice de 25,63% nos próximos três anos, abreviando um período que estava previsto de acontecer até 2025. E já achou um culpado para a situação financeira difícil que a empresa estaria passando com a propalada defasagem no preço da tarifa. Quem achava que iria apontar Beto Richa ou Cida Borguetti, se enganou redondamente. Apontou para o governo do hoje senador de pijamas, Roberto Requião com a sua política de congelamento da tarifa de 2005 a 2010.

Assim fica convenhamos!

Em vez de procurar o caminho mais fácil para querer mostrar serviço, o que o presidente da Sanepar deveria fazer e se preocupar é a quantidade absurda de prestadores de serviços que oneram a empresa e a tarifa paga pelo consumidor. Isso sem falar nas dezenas de cargos para empregar cupinchas e apadrinhados políticos, nomeados geralmente como integrantes do conselho de administração, como ocorria no governo de Beto Richa, com mais de uma centena deles recebendo altos salários sem nunca terem apertado uma torneira saberem o verdadeiro significado de adutora.

Hoje, para qualquer serviço banal que o consumidor necessite, tem que aguardar a agilidade de pagado da Sanepar para ser atendido. Se for conserto em algum vazamento do próprio equipamento da empresa que esteja sobre a calçada da residência, então o drama é ainda maior. Primeiro vem uma equipe que abre o buraco. Não faz mais que isso porque não está autorizada. No dia seguinte, vem outra equipe e conserta o defeito e vai embora. Depois vem outra para tapar o buraco que foi cavado. E por fim, uma última para refazer a calçada, se ela estiver revestida com pedras, paver ou outra coisa. Todas elas empresas terceirizadas. Não há uma equipe que cumpra ordem de serviço que faça todo o trabalho de uma vez só. Quem paga essa conta?

A Sanepar já foi símbolo de eficiência e de qualidade nos serviços que prestava há anos atrás, mas com o tempo, com essas terceirizações todas, houve sensível queda de padrão, e só o que aconteceu nesse tempo todo foi aumento de tarifas. Será que o novo presidente da empresa não consegue reunir sua equipe para repensar tudo isso, para gerir a Sanepar de uma forma menos voraz e de qualidade questionável dos serviços?

É fácil apontar culpados e se acomodar ao constatar erros e desacertos praticados por gestões anteriores, e achar que tudo se resolve com aumento de tarifa. Essa é uma prática dolente, nociva, é preciso olhar também para quem está pagando e vai pagar a conta dessa pretensão de elevação de tarifa. Com tanta gente desempregada ou de renda comprimida, sobrevivendo para colocar comida na mesa, o que vai acontecer se deixarem de pagar a conta. Vão cortar o fornecimento? Convenhamos!

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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