Agronegócio

Retrospectiva: café teve safra recorde no Brasil em 2018 e quedas nos preços

A temporada foi de safra recorde no Brasil e no mundo, o que naturalmente pressionou as cotações nas bolsas de futuros e no mercado brasileiro. Para os produtores, 2018 foi de rentabilidade apertada, mas a alta produtividade

Foto: Pixabay

O café teve um ano de 2018 de preços mais baixos no mercado internacional. A temporada foi de safra recorde no Brasil e no mundo, o que naturalmente pressionou as cotações nas bolsas de 
futuros e no mercado brasileiro. Para os produtores, 2018 foi de rentabilidade apertada, mas a alta produtividade com a maior safra da história do país atenuou um pouco a situação vivida pelo cafeicultor com as cotações do café.

“Devido à alta produtividade, foi um ano que deu para o produtor acertar as suas contas. Deu para fechar no positivo”, comenta o consultor de Safras & Mercado Gil Barabach. Com o rendimento mais alto nos cafezais o custo foi menor, mas houve menos folga de rentabilidade com os preços em queda no mercado internacional.

Assim, em 2018 o produtor precisou ter mais atenção na comercialização. “O produtor pode errar menos em um ano de preços mais baixos. Ainda assim,  foi positivo para quem soube trabalhar a comercialização”, ressaltou Barabach.

 A ampla oferta global manteve as cotações sob pressão. O Brasil teve safra recorde. A consultoria estimou a produção em 63,7 milhões de sacas, 25,4% a mais no comparativo com 2017, que teve colheita de 50,8 milhões de sacas. O Vietnã também tem expectativa de safra recorde, além de boas produções em outros países. 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a produção mundial no recorde de 174,5 milhões de sacas em 2018/2019, com incremento na safra de 9,8% contra 2017/2018. O consumo cresceu bem menos, 2,1% no período, passando para 163,6 milhões de sacas em 2018/2019. Assim, o mundo tem uma sobra (superávit) na oferta de 10,45 milhões de sacas no período, justificando os baixos preços, que ameaçam a importante linha psicológica de US$ 1,00 a libra-peso neste fim de ano para o arábica na Bolsa de Nova York.

Barabach salientou 3 pontos desfavoráveis para o mercado de café em 2018. O primeiro são os fundamentos baixistas, com a ampla oferta global trazendo tranquilidade para a abastecimento, com os compradores “mandando” no mercado.



O segundo aspecto foi a política interna brasileira em 2018, com eleições trazendo muita volatilidade no câmbio e incertezas. O terceiro aspecto foi o câmbio de modo geral no mundo, com uma ampla volatilidade no dólar em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China. As altas do dólar contra o real e outras moedas pressionaram o café e outras commodities nos mercados.

No balanço do ano, o café arábica na Bolsa de Nova York  caiu de 126,20 ao final de 2017 para 101,75 centavos de dólar por libra-peso, acumulando assim perda de 19,4%. Já o robusta na Bolsa 
de Londres caiu no mesmo comparativo de US$ 1.714 para US$ 1.508 a tonelada, baixa de 12%.

O dólar comercial subiu em 2018, até este dia 27, 17,5% contra o real. Isso atenuou as perdas em reais no Brasil do café ao produtor. No mercado físico brasileiro de café, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais fechou 2017 a R$ 450,00 a saca de 60 quilos. Está fechando 2018 em R$ 410,00 a saca, o que representa uma baixa acumulada de 8,9%. Bem menos no comparativo com
a queda do arábica em NY, e isso se explica por essa subida do dólar. 

Já o conilon caiu mais. Em Vitória, Espírito Santo, a cotação baixou 15,5% no ano até este dia 27 de dezembro, passando de 355,00 para R$ 300,00 a saca de 60 quilos. Barabach destaca que a recuperação da safra brasileira de conilon e a produção recorde de robusta do Vietnã pressionaram ainda mais as cotações desta variedade no Brasil.

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