Agronegócio

Parceria mantêm produtividade e lucratividade das lavouras

Tecnologia de manejo integrado oferece conjunto de técnicas econômicas e sustentáveis no controle de pragas

Produtores de Barra do Jacaré tiveram bons resultados com o Manejo Integrado de Pragas (Divulgação)

A cultura da soja está sujeita ao ataque de insetos desde a germinação até à colheita. As principais pragas são as lagartas e os percevejos, que causam danos econômicos mais graves quando não manejados corretamente. Nos últimos anos, o número de aplicações de inseticidas para controle desses insetos aumentou, com a utilização média de 4 a 6 aplicações por safra dependo da localidade e ano. Essa prática é insustentável, tanto no aspecto econômico quanto no ambiental. O uso desnecessário de defensivos agrícolas desequilibra o ambiente, consequentemente estimulando o aumento de pragas secundárias e também favorecendo a ressurgência e a seleção de pragas resistentes aos inseticidas utilizados.



Por isso, a Embrapa e o Instituto Emater (PR), desde a safra 2012/2013, vêm estimulando a adoção do MIP Soja entre os produtores rurais do Paraná. O Manejo Integrado de Pragas é uma tecnologia que utiliza um conjunto de técnicas econômicas e ambientalmente sustentáveis para a manipulação eficiente de pragas que atacam as lavouras de soja. É uma ferramenta para favorecer o uso correto dos inseticidas levando a um uso mais preciso dessa ferramenta com consequente redução nos custos de produção.

Na safra 2017/2018, foram conduzidas em lavouras comerciais de soja 215 Unidades de Referência (URs) em MIP em 93 municípios nas diferentes regiões produtoras do estado, com o envolvimento direto de 114 extensionistas da Emater. Do total de URs implantadas, 196 URs, seguiram o protocolo técnico previamente estabelecido com a Embrapa, Instituto Emater e os produtores.

Na Unidade Regional da Emater de Santo Antônio da Platina, que abrange 23 municípios do Norte Pioneiro, Barra do Jacaré e Cambará tiveram áreas conduzidas por extensionistas da instituição. Fábio Pires, do município de Barra do Jacaré, e Rossin, de Cambará, acompanharam a média dos resultados obtidos no programa no estado. O número médio de aplicações de inseticidas nas Unidades de Referência que utilizaram o MIP, na safra 2017/2018 foi de 1,68 aplicações, enquanto a média estadual foi de 3,9 entre os produtores que não utilizam a tecnologia. Trata-se de um número bastante expressivo, pois mostra uma redução na aplicação de inseticidas nas áreas que adotam o MIP.

Outro indicador de sucesso da tecnologia foi o aumento do tempo necessário até a primeira intervenção com inseticidas para o controle de pragas. Enquanto a média para a primeira aplicação de inseticidas nas Unidades de Referência foi de 78,7 dias, nas áreas comerciais a média foi de 43,6 dias. A produtividade alcançada com a tecnologia é a mesma, mas com um menor gasto de inseticidas e consequentemente menor impacto ambiental da atividade agrícola. A produtividade média das URs foi de 61,7 sacas/ha (147 sc/alq) e das áreas não assistidas pelo programa MIP a produtividade média foi de 60,4 sacas/ha (146 sc/alq), safra 2017/18.

Economia

Com relação à economia obtida pelo produtor que adota o MIP Soja e o que não adota, também é significativa. O custo do controle de pragas no MIP, por exemplo, com base nos resultados das 196 URs da safra 2017/18 foi de R$ 96,78/ha, ou 1,41 sacas/ha. Já a média dos custos do controle de pragas no Paraná, de acordo com levantamento feito em 615 áreas não assistidas pelo MIP, foi de R$ 224,40/ha, ou 3,27 sacas/ha. Portanto uma diferença de R$ 127,62/ha que o agricultor que teve sua área conduzida por extensionistas da Emater economizou.

Barra do Jacaré

No município de Barra do Jacaré a economia foi maior ainda. Com a adoção do MIP, e a redução de aplicações com inseticidas, o produtor assistido gastou R$ 72,44/há, ou seja, em relação à média com agricultores não assistidos, a economia foi R$ 151,96/ha ou R$ 367,74/alq. A propriedade assistida no município de Barra do Jacaré na safra 2017/2018 possui 9 alqueires, portanto a economia somente nesta área, levando em consideração apenas as aplicações de inseticidas foi de R$ 3.309,66.

O monitoramento contínuo da lavoura possibilita que o agricultor realize o controle das pragas no momento correto, propiciando proteção de forma adequada, sem uso de aplicações desnecessárias.

A parceria Embrapa e Emater possibilita que o MIP Soja ganhe espaço entre os produtores, que veem no programa uma possibilidade de reduzir aplicações de inseticidas, diminuir custos de produção e aumentar sua renda.

Resultados

Os resultados foram divulgados em setembro na Embrapa Soja, em Londrina, e o material está disponível no site da instituição: www.embrapa.br/soja e no site da Emater: http://www.emater.pr.gov.br/.

Na oportunidade, técnicos da Emater de todas as regiões do Paraná receberem treinamento em Boas Práticas Agrícolas com foco em MIP-Soja e Monitoramento de Doenças, em especial a Ferrugem Asiática da Soja. Esse treinamento antecede o início dos trabalhos da safra 2018/2019 de soja, que novamente contará com diversas áreas assistidas e monitoradas pelos extensionistas do Instituto Emater.

 

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