Opinião

Os odiados e o duro golpe das urnas em Requião e Richa

Dos oito ou pouco mais de odiados pelos antipetistas, poucos sobraram nesta eleição. No Paraná, apenas Gleisi Hoffmann conseguiu vaga na Câmara Federal onde, com certeza, vai infernizar muita gente, em especial a bancada paranaense. É de sua natureza. Esperamos, no entanto, que mude o enfadonho discurso do “golpe” e parta para ações que busquem, efetivamente, beneficiar o Paraná. Roberto Requião e Beto Richa sucumbiram.



O que mais sentiu o golpe foi o ex-governador Beto Richa que viu seus votos minguarem e não conseguiu eleger seu próprio filho, Marcelo Richa. Além disso, seus amigos e assessores mais próximos – alguns estão na cadeia – o abandonarem à sorte. Nos últimos 15 dias, o político que herdou o carisma do pai, José Richa, foi literalmente jogado na vala comum e, apesar de seus esforços na tentativa de provar sua inocência, o eleitor foi duro com ele.

Roberto Requião, outro ícone da política paranaense e uma das vozes de oposição no Senado Federal, também sofreu com a ira do povo paranaense que, ao que parece, não suporta mais agressões, intrigas e arrogância. Requião, que pontuava nas pesquisas foi à lona com brutalidade pois, de 39% acabou com pouco mais de 15% o que representa, também, um duro golpe na sua carreira e no seu feudo político. Como o conhecemos, não desistirá e poderá voltar a brilhar. Quem sabe.

Com Richa e Richa cairam também dezenas ou até centenas de políticos históricos do Paraná. Embora Ricardo Barros tenha sido reeleito à Câmara Federal, a derrota de sua esposa, a governadora Cida Borghetti, também foi um golpe em sua brilhante carreira política. Na Assembleia Legislativa, políticos como Elio Rush e Péricles de Mello também receberam um “não” dos eleitores que preferiram renovar e oxigenar o ambiente.

O atual presidente da Assembleia, Ademar Traiano, teve uma votação pequena, diante de seu histórico anterior e se reelegeu. Valdir Rossoni também foi golpeado pelas urnas, dando lugar a novos deputados, como o Sargento Fahrur, Gustavo Fruet, Ney Leprevost e outros que despontam na política paranaense provenientes do interior do Estado.

Oriovisto Guimarães foi a grande surpresa destas eleições. Um amigo o convidou para entrar no Podemos e para se candidatar a uma vaga no Senado Federal. O professor topou a parada e veio conquistando votos em todas as cidades, sempre ao lado do candidato e eleito governador, Ratinho Junior. Flávio Arns todos conhecem seu histórico dentro da igreja católica e também todos sabiam que tinha chances de chegar ao Senado. A queda de Requião o ajudou.

Brilhante a declaração da governadora Cida Borghetti que, logo que a eleição estava definida para Ratinho Junior, foi à imprensa para agradecer ao povo paranaense e telefonou para o futuro governador se colocando à disposição para os trabalhos de transição. Cida, mais uma vez, foi elegante e a certeza de uma política que dará continuidade às suas intenções de governar o Paraná.

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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