Política

Moro diz que vai a Brasília para que Lava Jato não seja exceção

(Foto: Henry Milleo /Fotoarena/Folhapress)

O juiz federal Sérgio Moro afirmou, em entrevista coletiva nesta terça-feira, que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no futuro governo Bolsonaro por ter vislumbrado a possibilidade de levar sua agenda de combate à corrupção e ao crime organizado para o Executivo federal, evitando que a quebra da tradição de impunidade para crimes de corrupção iniciada pela Lava Jato fosse uma exceção, fazendo com que torne-se uma mudança de patamar.



“A dúvida se não poderíamos voltar ao padrão de impunidade me levou a aceitar o convite, para, no governo federal, realizar o que não foi feito nos últimos anos de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado. Não é um projeto de poder, mas a ideia de fazer a coisa certa em um nível mais elevado, afastando de vez a sombra desses retrocessos”, disse o magistrado.

Moro não adiantou propostas, afirmando que elas ainda estão sendo elaboradas e precisarão ser submetidas ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Moro sinalizou, no entanto, que defenderá, em Brasília, a alteração de regras de prescrição dos crimes; deixar mais claro na lei a execução em segunda instância; a execução das sentenças do Tribunal do Júri independente dos recursos; a proibição de progressão quando houver provas de envolvimento do preso com organizações criminosas; a negociação de penas para casos criminais pequenos; a regulação mais clara de operações policiais disfarçadas; e a proteção dos denunciantes anônimos.

Moro disse que pretende utilizar os modelos de forças tarefas da Lava Jato no combate ao crime organizado e disse que convidará membros da força-tarefa da Lava Jato para compor sua equipe, “por confiar na eficiência e na integridade deles”, sem, no entanto, adiantar nomes.

Moro disse que, ao aceitar o cargo, não contraria sua posição de não ingressar na política. “Não me candidatei e não me candidatarei a nada. Sigo para um cargo especificamente técnico, não tenho a pretensão de concorrer a nenhum cargo. Sei que é uma decisão controvertida, gerou crítica pela imprensa, até em veículos internacionais. Tomei a melhor decisão para buscar a consolidação dos avanços contra a corrupção e não corrermos riscos de retrocesso. Sempre com o exemplo das mãos limpas, em que a expectativa de diminuição da corrupção não se confirmou”, acrescentou.

“Passei os últimos quatro ano na lava Jato, com todo o impacto que ela teve, pensando que chegaria o dia em que a mesa seria virada e que tudo o que foi feito poderia ser reduzido a pó. Talvez fosse um temor equivocado, mas era uma possibilidade iminente. De repente se vê a oportunidade de, em Brasília, poder fazer algo relevante”, concluiu.

*Paraná Portal-Roger Pereira

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