Acidente

Modelo de avião que caiu com deputado Carli nunca havia registrado acidentes com mortes no PR

O modelo do avião que levava o deputado estadual Bernardo Carli, do PSDB do Paraná, e outros dois tripulantes, ainda não havia registrado acidentes com morte aqui no estado. O levantamento foi feito pela BandNews junto ao Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão da Força Aérea Brasileira. Desde que a entidade começou a catalogar as informações, não havia sido registrada nenhuma morte nas ocorrências com o mesmo modelo de aeronave que caiu no último domingo (22), em Paula Freitas, próximo à divisa com Santa Catarina. Além do deputado, o piloto Laércio Tavares e o copiloto Luis Fernando de Souza também morreram no desastre. As causas do acidente ainda são apuradas.



A aeronave, fabricada em 2005 pela Piper, é do modelo Seneca 5 PA34. O avião ficou destruído depois de se fragmentar na copa de eucaliptos, em uma área de difícil acesso. Testemunhas relataram à polícia terem ouvido um barulho que pode indicar falha no motor antes da queda do avião.

O jornalista especializado em aviação, Gustavo Ribeiro, aponta que o exemplar é considerado seguro entre os pilotos e que parte dos problemas que ele apresenta estão mais relacionados à falta de fiscalização. “Ao contrário da aviação comercial, que a Agência Nacional de Aviação, fica muito em cima, na aviação geral não é a mesma coisa. A fiscalização da ANAC é muito mais fraca. Os casos de acidentes e incidentes com essa aeronave tem muito a ver com a falta de fiscalização. O número de acidentes e mortes impressiona”, afirma.

O especialista conta que o avião usado por Bernardo Carli é um dos mais populares na aviação particular. A aeronave, que teve seu primeiro projeto lançado na década de 1970 é produzido até hoje. A estimativa, segundo Ribeiro, é de que haja pelo menos 900 aviões do modelo voando no Brasil. “Durante as décadas de 70 e 80, teve uma parceria entre a empresa fabricante e a Embraer. O avião era fabricado no Brasil e o custo era muito mais baixo”, explica Ribeiro.

Desde 2010, o Cenipa registrou, no Paraná, dez acidentes e incidentes envolvendo aviões da Piper, modelo PA34, como o que levava Bernardo Carli e os dois tripulantes. Em uma das ocorrências, registrada em abril de 2010, o avião saiu do Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, também com destino a União da Vitória, na região Sul. O relatório do Cenipa aponta que, durante o pouso, o avião apresentou falha no freio direito, o que o fez perder a reta, sair pela lateral da pista e bater contra uma valeta.

Dentro da aeronave estava o também deputado federal Valdir Rossoni, então em campanha pelo interior do estado. Ninguém ficou ferido no incidente. Em 70% dos casos registrados, houve falha no sistema ou estouro de pneu. No dia 2 de novembro de 2012, uma aeronave saiu de Curitiba para pousar em Pato Branco, no sul do Estado. O relatório do Cenipa indica que dois minutos após a decolagem, o piloto reportou problemas no sistema. Houve três arremetidas e, na última delas, a hélice tocou o solo e ficou parcialmente destruída. O avião seguia com um piloto e cinco passageiros. Ninguém se feriu.

O último incidente registrado com o avião Piper, modelo PA34, antes do desastre que matou Bernardo Carli, ocorreu em julho. No voo, decolaram aluno e instrutor. O relato do piloto foi de dificuldade para taxiar a aeronave porque o pneu do trem de pouso estava vazio.

Em todo o país, 19 pessoas já morreram em acidentes com aviões do modelo com o que voava Bernardo Carli. O pior deles ocorreu em 2011, quando quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas em um voo de instrução que decolou de Piracicaba, no interior paulista. O avião bateu em um morro, São Pedro, e ficou completamente destruído. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.

As investigações do desastre que matou Bernardo Carli são feitas tanto pelo Cenipa quanto pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná.

BandNews FM Curitiba

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