Cidades

Mães denunciam maus tratos em creche de Santo Antônio

Professoras se dizem ameaçadas e registraram boletim de ocorrência na delegacia de polícia

Débora de Souza denuncia maus tratos ao filho no CMEI São Gabriel (Arquivo pessoal)

Duas mães, moradoras do bairro Álvaro de Abreu, em Santo Antônio da Platina, estão denunciando maus tratos contra crianças atendidas no CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) São Gabriel, na mesma localidade. Uma delas, Débora Cristina de Souza, mãe de A.H.S.S., de dois anos e nove meses, formalizou no Ministério Público Estadual (MPE), da comarca, pedido de investigação da promotoria de justiça.



Ela contou na promotoria que o filho tem retornado para casa com frequência apresentado manchas roxas na pele como resultado de mordidas que estaria levando de outras crianças que frequentam a mesma escola. “Se fosse um fato isolado, poderíamos considerar normal num local com dezenas de crianças, mas quase todos os dias, é um absurdo!”, desabafou Débora, na redação da Tribuna do Vale.

A diretora Rosana Leite Teixeira nega as acusações. Visivelmente nervosa ela informou que, juntamente com outra professora, registrou boletim de oocrrência na Delegacia de Polícia de Santo Antônio da Platina por se sentir ameaçada.

A reportagem procurou ouvir outras professoras, que pediram anonimato com medo de represálias. Todas saíram em defesa da diretora e de outra professora de nome Jéssica, alvo das acusações. “A Rosana (diretora) é um modelo de profissional da educação. Dirige o CMEI há mais de 10 anos, em dedicação total, tirando dinheiro do bolso para resolver problemas do dia a dia. Ela se sentindo ameaçada pela insegurança está doente, fazendo tratamento neurológico por causa de uma síndrome de pânico decorrente desse estado de stress”, desabafou uma das professoras.

Ministério Público  

Após a denúncia no MPE, Débora esteve na redação da Tribuna do Vale e forneceu uma cópia do documento lavrado junto à promotoria em que faz um relato da situação vivenciada na creche onde o filho estuda com dezenas de outras crianças. Ela diz que já formalizou a mesma denúncia na Ouvidoria do Município acusando a diretora da creche, Rosana Leite Teixeira de discriminação e preconceito ao chamar uma criança atendida na instituição de “boca de lixo”.

Outra mãe, Maria Gabriele Dias dos Santos, também teria presenciado a cena e formalizou a mesma denúncia na ouvidoria. Ela contou ainda que as crianças sofrem maus tratos, não são higienizadas, retornando as suas casas com as mesmas fraldas que ingressaram na instituição, sujas de fezes e urina. Segundo a denunciante, a própria diretora teria dito que a responsabilidade do problema é da administração municipal, que não disponibiliza mais estagiárias para dar banho nas crianças, a maioria com idades entre 0 e 3 anos.

Diante da situação e da falta de iniciativa do Executivo em adotar medidas para solucionar os problemas, Débora de Souza iniciou um abaixo assinado que já leva a assinatura de 30 pais e mães de alunos do CMEI São Gabriel.

O documento cobra uma ação imediata da prefeitura para resolver o problema, primeiro com a transferência da diretora Rosana Leite Teixeira, indicação de mais estagiárias para atender aos alunos, acompanhamento do cardápio indicado pela nutricionista; instalação de câmeras de monitoramento para registrar o que acontece no interior da creche.

Zona de conflito

As professoras se dizem ameaçadas. A escola não tem segurança e qualquer fato que desagrade uma das mães mais exaltadas já é motivo para sobressaltos. “Essa mesma mãe que denuncia a diretora já fez ameaças a ela, dizendo que o marido está saindo da cadeia e vai resolver o problema”, acusa uma das professoras.

Débora de Souza nega a acusação e diz que está separada e não tem contato com o ex-marido há muito tempo. Ela informou que vai depor na delegacia na manhã desta quinta-feira e que manterá as acusações.

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