Esporte

‘Incêndio ocorreu no meu quarto’, diz jogador sobrevivente de tragédia

Outros atletas contaram que foram para casa porque não haveria treino nesta sexta e outros relataram onde viram o início do fogo.

Samuel, um dos atletas do Flamengo que sobreviveram, disse que tinha muito fogo no local onde as vítimas estavam. — Foto: Reprodução/TV Globo

Felipe Cardoso, atleta da categoria de base do Flamengo, conhecido como Felipinho, afirmou em redes sociais que conseguiu escapar do incêndio que atingiu o alojamento do Centro de Treinamento de Vargem Grande, na Zona Oeste, que matou 10 pessoas e deixou outras três feridas.

O jogador contou que o incêndio começou no seu quarto, e que conseguiu escapar por ter acordado antes de o fogo chegar à sua cama.



“Incêndio ocorreu no meu quarto, só tenho que agradecer a Deus por conseguir acordar e escapar da morte, Deus conforte meus irmãos💔🙏🏾😭”

Em entrevista à GloboNews, Aleksandro Cardoso, pai de Felipe, disse que conversou com o filho por volta das 7h. Segundo ele, o filho ainda tentou salvar dois amigos que dormiam.

“Ele falou que acordou com a fumaça, que conseguiu chamar dois amigos e gritou para que todos viessem. Só que esses meninos não apareceram, eles não conseguiram tirar esses meninos de lá”, afirmou.

Cardoso contou que o filho estava no CT do Flamengo desde segunda (8).

Samuel

Samuel Barbosa, outro atleta do Flamengo que sobreviveu, disse que havia muito fogo no local onde as vítimas estavam.

“A maioria não conseguiu porque a quantidade de fogo era muita. E aconteceu que o ar condicionado pegou fogo, daí foi gerando um curto-circuito em todos os ares-condicionados. Foi pegando em tudo. E foi muito rápido. Não deu pra conseguir chamar quase ninguém”, contou Samuel.

Caike

Caike Duarte, jogador de 14 anos de Americana, também escapou do fogo e faz contato com família. O pai dele contou que Caike acordou inalando fumaça.

“Ele pulou do beliche, ele dormia em cima. Saiu no meio da fumaça e, graças a Deus, conseguiu sair”, conta Renato Pereira da Silva, pai de Caike.

Neguebinha

O adolescente João Pedro da Cruz, de 16 anos, atleta da categoria de base conhecido como Neguebinha, contou, na manhã desta sexta-feira, que amigos chegaram a chamá-lo para dormir no alojamento, mas ele preferiu ir para casa, já que não haveria treinamento hoje.

“Fiquei sabendo que não ia ter treino e vim para casa de um amigo, que fica próximo, na Barra da Tijuca. Ontem, três amigos meus pediram para eu dormir no alojamento, mas eu vim para casa. Aí eu acordei hoje e me falaram que tinha acontecido essa tragédia e eu fiquei apavorado. A maioria deles ficou lá, dos meus amigos todos ficaram lá”, contou João.

Otávio

Já o zagueiro Otávio Ataíde da Silva, de 16 anos, que joga na base do Flamengo, contou que não morava mais no Centro de Treinamento, mas que conseguiu conversar com seus amigos que estavam no local na hora do incêndio.

“A maioria estava dormindo no outro quarto. O Vinicius tentou quebrar a janela para aliviar um pouco a fumaça, só que não adiantou nada porque eles continuaram dormindo. Esse é um momento muito complicado perder grandes amigos que estavam com a gente, cuidavam uns dos outros lá dentro, nos tornamos grandes irmãos”, contou Otávio.

Weverton

Weverton Sousa, atleta do Flamengo que mora em Nova Iguaçu, postou no Twitter um vídeo que mostra a alegria dos atletas nos alojamentos do clube.

“Não dá para acreditar. Que tragédia. Salva meus amigos, Deus”, escrever o jogador na rede social.

Vítimas

Veja abaixo quem são as vítimas identificadas e com os nomes divulgados:

Mortos*:

  • Athila Paixão
  • Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas
  • Bernardo Pisetta
  • Christian Esmério
  • Jorge Eduardo Santos
  • Pablo Henrique da Silva Matos
  • Vitor Isaías
  • Samuel Thomas Rosa

*outras 2 mortes estão confirmadas, mas os nomes ainda não foram divulgados para que as famílias sejam avisadas antes.

Feridos:

  • Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos
  • Francisco Diogo Bento Alves, 15 anos
  • Jhonatan Cruz Ventura, 15 anos, em estado grave

Tragédia

As chamas atingiram as instalações onde dormiam jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio. Ainda não há identificação dos mortos. Os bombeiros chegaram a dizer que todos eram adolescentes, mas não há informações oficiais.

Às 9h50, a polícia chegou ao Ninho do Urubu para fazer a perícia. Um inquérito foi instaurado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar as causas do desastre.

Parentes buscam notícias

Familiares de atletas da categoria de base do Flamengo chegaram durante toda a manhã no Centro Treinamento em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio, em busca de informações de jovens que estavam no local durante o incêndio que atingiu o local nesta sexta-feira (8), deixando 10 mortos e três jovens feridos.

Washington Barbosa, pai de Samuel, de 16 anos, que deixou o Piauí e mora há um no alojamento provisório, conta que o filho está emocionalmente abalado.

“Ele conseguiu escapar e chamou um amigo, conhecido como Bolívar, que está no hospital. Ele contou que viu a fumaça e conseguiu sair correndo”, explicou Washington.

O autônomo Edinaldo Gama também chegou cedo ao Centro de Treinamento em busca de informações sobre um amigo da família que treina na base do clube, de 17 anos. “Ele é de Santa Catarina”, destacou.

Adelísia Damasceno da Silva é mãe de Diego, zagueiro de 15 anos, que está em casa e ainda não foi informado sobre a tragédia.

“Eu estou prestando solidariedade às mães que estão longe daqui. Meu filho poderia ser uma das vítimas se a nossa família não tivesse decidido vir para cá”, explicou ela, que morava em um bairro distante, mas resolveu se mudar para as proximidades do Ninho do Urubu.

Jefferson Rodrigues da Silva é dono de uma pensão próxima ao Ninho do Urubu e conhece muitos dos atletas, que já se hospedaram na casa dele. Hoje cedo ele falou com Caíque Soares, da categoria sub 15, um dos sobreviventes.

Chorando muito, o menino contou que escapou apenas com a roupa do corpo em meio à fumaça e que perdeu até o telefone celular queimado no incêndio. “Ele disse que não deu tempo de nada, que morreram alguns colegas dele. Ele só chora. Foi muito rápido. Ele viu aquilo e gritou os colegas”, explicou Jefferson, contando que o menino está recebendo apoio psicológico. O adolescentes é de Tocantis.

Familiares e amigos de vítimas de incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo fazem orações — Foto: Cristina Boeckel / G1 Rio

Facebook Comments
Compartilhe: