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Governadora assina decreto do curso de Medicina em Cornélio

Solenidade acontece segunda-feira (12), no gabinete de Cida Borguetti, em Curitiba

Curso de medicina será instalado no Campus de Cornélio Procópio (Antônio de Picolli)

Está selada a sorte: a região da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), cuja sede fica em Jacarezinho, fica sem o tão sonhado curso de Medicina da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), que será instalado no Campus de Cornélio Procópio. Na próxima segunda-feira (12), a governadora Cida Borguetti (PP) realiza na sala de reuniões de seu gabinete, solenidade de assinatura do decreto de criação do curso, para decepção de algumas lideranças, entre as quais, o prefeito de Ribeirão Claro, Mário Augusto Pereira, que se mostrou inconformado, ao falar com a reportagem na tarde desta quinta-feria (8).



“Não tenho o que falar!” Com esta frase lacônica, ele resumiu o estado de decepção. O mesmo grau de inconformismo foi externado pelo empresário Marcelo Palhares, ao receber cópia do convite para a solenidade. “Nossa região não merece esse castigo. É uma luta de décadas!”, sintetizou sua frustração.

O anúncio que o curso de Medicina seria instalado em Cornélio Procópio foi feito pela governadora Cida Borghetti no dia 3 de julho, início da campanha eleitoral, atitude classificada na época por lideranças do Norte Pioneiro como estelionato eleitoral. O prefeito de Ribeirão Claro chegou ameaçar convocar a Amunorpi para ingressar na Justiça Eleitoral por uso da máquina do Estado na campanha.

O que deixou Mário Pereira ainda mais enfurecido foi a identificação no texto distribuído à imprensa e nas redes sociais, do papel desempenhado pelos deputados Alex Canziani (PTB) (federal) e, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), (estadual) juntamente com o prefeito de Cornélio Procópio, que teriam sido os maiores articuladores da criação e instalação do curso em Cornélio Procópio. Foram eles, juntamente com o prefeito Amin Hannouche (PSDB), os autores do pedido à governadora Cida Borghetti, que resolveu autorizar a universidade a promover a “elaboração e tramitação em seus Conselhos Superiores do projeto para a implantação do curso de medicina no campus de Cornélio da instituição”.

O processo de criação do curso transcorreu numa velocidade meteórica. De cara o governo estadual liberou R$ 8 milhões para início das obras no campus de Cornélio Procópio. Foram necessários poucas semanas para o projeto entrar na pauta de avaliação dos conselhos superiores da Universidade. Não fosse a reação de Mário Pereira, o decreto de criação teria sido assinado antes das eleições.

Revolta

A informação caiu como bomba entre as lideranças do Norte Pioneiro. Há um clima de revolta entre alguns prefeitos e setores da sociedade, que se sentem desrespeitados. Os deputados Canziani e Romanelli, chegaram a ser classificados de “traidores”. Na própria UENP a informação causou mal estar, conforme revelou um membro de conselho da instituição.

Consciente do desgaste causado, o deputado Luiz Cláudio Romanelli, após a apuração, em entrevista às rádios Vale do Sol FM e Difusora FM anunciou estudos para a instalação de cursos tecnológicos num campus a ser criado em Santo Antônio da Platina na área onde funcionava a Escola Agrícola do Município.

O desgaste do parlamentar foi tão visível que, mesmo sendo apoiado pelo prefeito José da Silva Coelho Neto (PSH), o professor Zezão, seu vice, Chico da Aramon (…), o ex-vereador e segundo mais votado para prefeito na últimas eleições, Cláudio Domingues, o Cação (MDB), o vereador Vermelho, entre outros, fez pífios 1200 votos.

O prefeito de Ribeirão Claro tem sido o mais enfático ao manifestar sua revolta. “Isso desanima, dá vontade de abandonar a política. Tenho sofrido muito! Apesar de meus 68 anos não mudo minhas convicções. Estão tratando o Norte Pioneiro abaixo de sola de sapato”, desabafou na ocasião do anúncio. O que agrava ainda mais a situação, segundo Mário Pereira, é o fato de que a região possui um hospital regional de referência em funcionamento, gerido pelo Estado, enquanto a unidade de Cornélio Procópio está com suas obras paralisadas.

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