Cidades

Equipamentos do frigorífico do peixe somem de depósito

Prefeitura deixa sem segurança bens adquiridos pela União por R$ 2,8 milhões

Estão roubando os equipamentos adquiridos em licitação e que custaram R$2.851.000.00 em recursos da União (Antônio de Picolli)

O Município de Pinhalão novamente é pivô de um escândalo que vem se tornando comum nos últimos anos, com repercussão que extrapola suas fronteiras e ganha repercussão nacional. Depois de receber cerca de R$ 9 milhões de um convênio de R$ 12 milhões para a construção de um frigorifico de filetagem de peixe e fábricas de rações e farinha, obra que está parada há cerca de quatro anos, agora uma nova denúncia adiciona ainda mais polêmica ao projeto que prometia mudar o perfil econômico do Norte Pioneiro. Estão furtando os equipamentos adquiridos em licitação e que custaram R$2.851.000.00 em recursos da União.



Diante da gravidade da situação, um grupo de vereadores, liderados pelo presidente da Câmara, Anderson Cesar Lemes, o popular Andinho (MDB), resolveu realizar uma auditoria na área onde foram erguidas algumas construções e deveria abrigar o frigorífico do peixe e unidades de uma fábrica de ração e de farinha de peixe. O relatório preliminar da vistoria no local constatou a ausência de vários equipamentos, segundo o vereador, que antecipa que o caso será levado ao  Gepatria – Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa, do Ministério Público Estadual (MPE), sediando em Santo Antônio da Platina.

Andinho assinala que a comissão de vereadores ainda não possui uma avaliação dos prejuízos causados ao município e à União com o desaparecimento de equipamentos que estavam guardados num dos armazéns onde deveria estar funcionando uma indústria financiada com recursos federais.

Nem os vereadores e muitos menos a administração do município sabem quantos itens foram levados do local. Entres os equipamentos que faltam constam bandejas para túnel, quatro rolos de chapas galvanizadas, esterilizadora de facas, dois motores elétricos já instalados e vários outros bens que a prefeitura não sabe precisar, conforme admite Luiz Carlos Vidal, do Departamento de Compras, que respondeu a questionamentos da Câmara de Vereadores.

Segundo informações da administração municipal, que classifica o sumiço de equipamentos como furto, o crime teria ocorrido na noite de 9 de abril deste ano, sendo que foi registrado um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, no dia seguinte.

Procurado, o delegado de Tomazina, Isaias Fernandes Machado, admitiu a existência de vários boletins de ocorrência registrados na delegacia regional sobre sua responsabilidade, mas informou que não foi aberto inquérito policial por falta de indício de autoria e ausência de efetivo da Polícia Civil para investigar o crime.

Descaso

Na noite de segunda-feira (04) um morador de Pinhalão, Antonio de Carvalho  Gonçalves, autor de várias denúncias contra o ex-prefeito da cidade, Claudinei Benetti (DEM), disse que denunciou na Câmara de Vereadores no dia 25 de novembro de 2017 o estado de abandono em que se encontravam equipamentos e edificações do frigorífico do peixe, que custaram milhões de reais aos cofres públicos, sugerindo que o Legislativo montasse uma comissão de investigação, mas nenhuma medida teria sido adotada pelo Legislativo. “Os equipamentos há aproximadamente 3 anos estavam em um barracão do frigorifico do peixe, sem uma vistoria. Trata-se de equipamentos mecânicos eletrônicos de alto valor comercial sem o mínimo de atenção sobre o seu estado de coservação, bens licitados no valor de R$2.851.000.00”, alertou arrematando que nenhuma providência foi tomada.

A reportagem da Tribuna do Vale tentou contato com o prefeito Sérgio Rodrigues (PDT), em mensagem gravada no wattzapp de seu celular. O aparelho identificou que ele leu a mensagem, mas não retornou até a publicação da matéria. Na noite anterior ele enviou mensagem ao jornal pelo mesmo aplicativo, num desabafo pela veiculação de outra reportagem apontando que o prefeito tinha conhecimento de desvios de combustível da prefeitura, mas não teria tomado providencias para coibir a prática ilegal.

“Todos me conhecem e sabem quem eu sou. Minha consciência está limpa. Nunca mexi em uma folha seca que não fosse minha. Lamentável! Deus é maior! Todo dia entrego minha vida e minhas ações nas mãos Dele!”, escreveu, em tom de desabafo.

Na mesma oportunidade o repórter explicou ao prefeito que ele não está sendo acusado de apoderar-se ilegalmente de bens públicos, mas cobrado por sua omissão ao não cuidar do patrimônio da comunidade, omitindo-se em sua responsabilidade de zelar por aquilo que é do povo.

 

 

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