Opinião

Duelo de Extremos

(Foto: Elza Fiúza/ABr)
O destino político do Brasil será definido neste domingo. É possível que Jair Bolsonaro (PSL) vença no primeiro turno, mas o mais provável é que haja um segundo entre o candidato de direita e Fernando Haddad (PT), o poste do presidiário Lula. Caso as pesquisas se confirmem, no segundo turno os dois empatam tecnicamente com poucas oscilações entre os números apresentados pelos institutos de pesquisa.
A disputa será entre duas propostas extremamente antagônicas. De um lado temos um ex-capitão do exército que não esconde seu saudosismo pelo regime militar que torturou opositores e restringiu a liberdade de expressão. Do outro temos um réu que responde na Justiça por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes cometidos pelo seu chefe que já foi condenado em segunda instância e cumpre pena em Curitiba. Trata-se de duas candidaturas que flertam com o autoritarismo, mas nada se compara ao plano de governo do PT que inclui cotas em concursos públicos que passarão a privilegiar pessoas LGBTI, a saúde pública também vai priorizar o atendimento usando o critério da cor da pele, ou seja, negros e indígenas serão atendidos antes dos demais – um verdadeiro racismo às avessas -, controle social da mídia, do Judiciário e do Ministério Público Federal, ou seja, as instituições serão submetidas a órgãos ligados ao governo e o documento prevê até uma alteração do calendário eleitoral. Todas estas mudanças acontecerão por meio  da chamada “democracia direta”, cujo método é realizar as alterações através de plebiscitos e referendos, tal qual acontece na ditadura venezuelana, subvertendo o poder Legislativo às pautas que interessam ao governo e não aos parlamentares eleitos pelo povo. Se por um lado temos um entusiasta da ditadura militar, do outro temos um potencial tiranete que sonha com uma ditadura bolivariana. A diferença é que Bolsonaro terá que governar com o Congresso gostando ou não. O ex-militar também enfrentará uma oposição ferrenha e terá que ter muita habilidade para negociar suas propostas. Já Haddad faz parte de uma poderosa quadrilha criminosa que já está infiltrada na política há muito tempo e não hesitará em exterminar a Lava Jato para libertar, não só o Lula, mas os vários comparsas presos, com exceção de Antônio Palocci considerado um traidor por entregar provas que incriminam ainda mais o chefe da quadrilha.
Sim, não é um pleito que ofereça ao País a chance de ter um grande administrador capaz de por fim às crises econômica e política, mas, definitivamente, o maior estrago acontecerá caso o PT vença. Se isto acontecer só restará uma saída: o aeroporto.
Maurício Reale
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