Colunista

Devo e não nego!

De vez em quando nos fins de tarde, dou uma passadinha na barbearia do amigo Levi Macedo para jogar conversa fora e às vezes conversa dentro…
Ele já beirando as nove décadas, sempre tem um conto novo de um causo antigo para contar…
Além de uma memória invejável, o Levi é um clarinetista e flautista tipo cesta de três pontos!
Acordou muitos corações de muitas gerações, nas serestas boêmias dos tempos que não voltam mais… Imaginem que ele tocou no casamento dos meus pais há quase setenta anos.
Realmente o Levi é um baú de histórias e de músicas! Fantástico!
A última que ele me contou foi do Durvalino Bueno, hoje já no andar de cima…



O tal Durvalino, tinha uma fala mansa e envolvia com sua prosa quem o rodeava. Bom de papo, inebriava as pessoas com suas histórias.
Andava sempre com o seu irmão Miguel, ambos compradores de toras de madeira. Nunca se desgrudavam, não pelo elo da irmandade mas porque um desconfiava do outro. Eram sócios e tinham o medo de serem passados para trás, por eles mesmos! Que coisa!
O Durvalino, de longa data, estava devendo um dinheiro para um compadre. Sempre desviava do seu credor para não saldar seu débito.
Certo dia, não teve escapatória. Sentado numa mesa de bar, seu compadre chegou e mais que depressa o Durvalino saiu com esta: “Que bom encontrá-lo compadre véio! Estava a sua procura! Sei que estou te devendo, não me esqueci. Se você quiser até posso te emprestar um pouco. Só que hoje não tenho nada”.

Crônicas recomendadas: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras”! ; A escolhida!
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João Marcos

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