Opinião

Deram golpe na Gleisi e Lula não gostou

Lula, preso em Curitiba, não gostou do golpe que o PT quer dar na sua pupila, a deputada federal e presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Mesmo encarcerado, ele exige que ela seja reeleita presidente do PT. Mas há reações das principais lideranças.



Deram o golpe na loira. Pelo jeito nem mesmo seus correligionários estavam suportando mais tantas asneiras do besteirol desenfreado que compõe acervo mental da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmnan.

E com sua inigualável capacidade perceptiva, nem ela se deu conta da armadilha que a “cumpanherada” lhe preparou na reunião da Executiva Nacional do PT realizada no último final de semana. Criaram um cargo para o candidato derrotado à presidência, Fernando Haddad, para que ele seja daqui para a frente uma espécie de voz oficial do partido nas batalhas dos moinhos de vento dessa esquerda caricata que se abriga no PT.

Daqui para a frente talvez possamos ser poupados das asnices da ex-ministra de Dilma e teremos, como compensação, uma nova versão de disparates e despropósitos interpretativos na cena da política nacional. Pelo menos promete ser um pouco diferente com Haddad, algo como diferente na forma e não nos méritos, para usar expressão que ele empregou para reclamar da ida de Gleisi à posse do ídolo de ambos, Nicolás Maduro, como usurpador da presidência da Venezuela.

O PT decidiu criar, na reunião da Executiva, o que denominou de NAPP, ou Núcleo de Acompanhamento de Políticas Públicas que será coordenado pelo candidato fracassado à presidência da República. Agora sim o PT promete. Era preciso criar uma roupagem antes para que fosse possível algum conteúdo de enxerto, porque até o momento pareciam perdidos entres os escombros depois do que restou do partido.

Há uma torcida para que daqui para a frente, esse arremedo de esquerda bolivariana brasileira possa ter o que dizer com certa propriedade, sensatez e pertinência, ainda que sempre vá se se suspeitar da honestidade dos propósitos embutidos no que venha a manifestar. Porque, até o momento, tanto Gleisi como Haddad só falaram bobagens e nem cabe aqui ficar repetindo o que disseram, uma vez chega a ser até cômico, na segunda torna-se purgativo.

Mas agora a coisa promete, pelo entusiasmo como a Executiva toda se manifestou após o golpe da loira, engambelando até mesmo seus aliados e sábios “cumpanheros” que formam a corrente majoritária do partido e que agora se transformaram em refém da NAPP, Nada será como antes no quartel da malta sindical e populista, a começar pela campanha do Volta Lula, que prometeram colocar em marcha nos próximos meses para libertar o grande líder encarcerado em Curitiba e duas vezes condenado numa continha de 24 anos de prisão.

De duas uma: Ou vamos ter daqui para a frente o ensaio de um debate nacional pretensamente sério e honesto de oposição petista, ou vamos rir bastante do festival de besteiras com o qual seremos brindados agora com a nova roupagem. Ou, se preparem, deixem a porta do banheiro sempre aberta porque a gente nunca sabe os efeitos que as manifestações petistas provocam depois da segunda vez e que a gente lê ou ouve algum desses grandes líderes se manifestando.

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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