Política

Cida Borgheti demite Deonilson Roldo, que diz que foi chantageado

Arquivo AEN

A governadora do Paraná, Cida Borghetti, determinou nesta sexta-feira, a demissão de Deonilson Roldo do cargo de diretor de Gestão Empresarial da Copel. Chefe de gabinete na gestão do ex-governador Beto Richa, Deonilson foi flagrado, em áudios revelados pela revista IstoÉ desta semana, tentando convencer Pedro Rache, diretor-executivo da Contern a abrir mão da participação em uma licitação que já estaria prometida para a Odebrecht.



Na nota que informa a demissão do diretor, a governadora diz que a ele é assegurado o direito a ampla defesa junto às esferas administrativas da empresa.

Segundo a revista, o encontro entre eles teria acontecido em 2014, no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. “A gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar para que esse compromisso não seja desrespeitado”, disse Roldo.

Para que o Grupo Bertin desistisse da licitação, Roldo ofereceu ajuda em outro negócio: a viabilização de uma parceria para projetos no Complexo de Aratu, no litoral da Bahia, onde o grupo tem seis usinas termoelétricas. Ele intermediaria a negociação com a Copel para fechar uma parceria com valor próximo de R$ 500 milhões.

Após as negociações,  o Grupo Bertin desistiu da obra. A Odebrecht concorreu sozinha e venceu a licitação em 2014. Em troca do contrato, com duração de 30 anos, a Odebrecht acertou o repasse R$ 4 milhões, via caixa 2, para a campanha de reeleição de Beto Richa em 2014.

A obra não saiu do papel. Mas, segundo delação de Benedcito Barbosa, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, os R$ 2,5 milhões seriam lançados futuramente como despesa no projeto de duplicação da PR-323.

“Chantagem e gravação clandestina”

Em nota, Deonilson Roldo defendeu-se das acusações dizendo nunca ter cometido irregularidades na vida pública e ter sido vítima de chantagem e gravação clandestina por parte de Rache, com quem diz só ter conversado uma única vez. Confira a íntegra da mainifestação de Deonilson:

Nunca cometi qualquer irregularidade em 34 anos de exercício de funções na Administração Pública.

Estou sendo vítima de chantagem continuada, a partir de uma gravação clandestina feita por pessoa que esteve uma única vez em meu gabinete, no Governo do Estado, em 2014, buscando informações sobre uma Parceria Público-Privada.

A própria conversa, repito, gravada de forma premeditada, ilegal e com interesses escusos, mostra que não houve pedido de favorecimento a ninguém. Tampouco os fatos posteriores indicaram que pudesse ter havido qualquer prejuízo aos interesses da Administração Pública. Nunca interferi ou sugeri qualquer direcionamento no processo licitatório da PR-323.

Desde meados de 2015, quando houve a descoberta da existência dessa gravação clandestina, tenho sido vítima de ameaças e chantagens nos bastidores, com pessoas se utilizando inescrupulosamente de um suposto comportamento criminoso de minha parte – o que nunca ocorreu.

Sou acusado caluniosamente de tratar de uma licitação com um empresário que não participou desse processo e de lhe oferecer vantagens na negociação de um empreendimento cuja venda não se efetivou. Isso para beneficiar uma terceira parte numa obra que nunca foi realizada. Ou seja, nada do que insinuam aconteceu.

A existência dessa gravação, por si só, não compromete a minha postura de respeito e observância às leis e à ética. Até porque, como disse antes, a referida conversa não teve efeito prático nenhum.

Só serve para alimentar interesses levianos de ex-políticos que provavelmente não se conformam de não obter, imagino eu, vantagens com chantagens ou práticas que nunca foram admitidas durante a minha passagem pela Administração Pública.

Roger Pereira/Paraná Portal

 

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