Cotidiano

Casos de tuberculose podem gerar novo pedido de interdição de cadeia

OAB vai se reunir ainda esta semana para deliberar denúncia feita por parentes de presos

Unidade construída para 19 presos mantêm 160; surto de tuberculose preocupa autoridades (Luiz Guilherme Bannwart)

Membros da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ibaiti devem se reunir ainda esta semana para debater o risco de surto de tuberculose na cadeia da cidade, conforme denúncia apresentada no último fim de semana por familiares de um detento ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Subseção do órgão, Pablo Rodrigues Acosta. O problema pode resultar em nova petição à Justiça pela interdição do local.



Na tarde de terça-feira (26), Acosta e o delegado titular da 37ª Delegacia Regional de Polícia, Pedro Dini Neto, confirmaram a transferência de pelo menos três presos ao Complexo Médico Penal (CMP) de Pinhais diagnosticados com a doença. “Pedimos explicações ao Depen (Departamento Penitenciário) referentes à denúncia, e fomos informados de que três presos (dois homens e uma mulher) foram diagnosticados com a doença. Eles foram transferidos a uma unidade de tratamento, e estamos acompanhando a situação para saber se mais detentos foram infectados pela doença”, disse Acosta.

A superlotação carcerária é um problema recorrente na unidade de Ibaiti. Construída para 19 presos, atualmente a estrutura mantêm 160 custodiados. O Ministério Público do Paraná (MPPR) e a OAB pediram a interdição do prédio à Justiça, que acatou a reclamação e fixou multa diária no valor de R$ 10 mil aos cofres do Estado no caso de descumprimento de fechamento do local. O Estado foi autuado em R$ 300 mil por não acatar a decisão, mas recorreu da sentença a instância superior. “A situação agora é mais caótica ainda. Além de a unidade estar com 160 presos, há também o risco de um surto de tuberculose no local. O Estado precisa parar de ser inerte e tomar medidas urgentes em relação aos graves problemas que ocorrem na cadeia de Ibaiti, e a OAB vai continuar cobrando e exigindo punição aos responsáveis”, salientou o advogado Pablo Acosta.

Um levantamento feito pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose no Brasil em 2018 mostra que o País é responsável por um terço dos casos de tuberculose nas Américas. Em 2015, a doença superou a Aids como a enfermidade infecciosa com mais vítimas mortais. O relatório mundial de 2017 sobre a tuberculose, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra que quase 1,7 milhão de pessoas perderam a vida em 2016 por culpa dessa antiga doença.

“Trata-se de uma enfermidade de transmissão aérea. Ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com a doença ativa lançam partículas no ar que contêm bacilos. Por isso é preciso cautela. A utilização de máscaras e aventais, bem como a higienização das mãos é fundamental para não haver a contaminação, e se possível evitar o contato com pessoas diagnosticadas com a doença”, orienta o médico especialista em urgência e emergência Diego Ralph Burani.

OUTRO LADO

O Depen informou que apenas um preso da cadeia de Ibaiti foi diagnosticado com tuberculose e que, desde a semana passada ele está em tratamento no CMP de Pinhais. Nenhum outro caso foi confirmado até o momento. O estado de saúde do preso, segundo o Depen, é bom. O CMP, ainda conforme o Depen, é referência no Paraná no tratamento da doença.

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