Colunista

Caso Richa sacode pilares do Palácio Iguaçu

Palácio Iguaçu, sede do Governo do Estado do Paraná, BRasil. Foto: ANPr

A denúncia contra o ex-governador e candidato ao Senado Beto Richa e seu ex-chefe de gabinete, hoje diretor da Copel, Deonilson Roldo, de envolvimento com a empreiteira Odebrecht, caiu como bomba no Centro Cívico, a exemplo do dia 15 de abril de 2015.



Desta vez, saíram chamuscados os deputados que, no dia a dia subiam na tribuna da casa para defender as ações do governo e desmentir qualquer fato ou boato que viessem a desabonar o grande chefe. No Palácio Iguaçu, os pés direitos e esquerdos tremeram, já que a governadora, aliada, está em campanha.

Quem deve tirar proveito dessa desastrosa denúncia que poderá virar em condenação e afundar o projeto político do ex-governador é o candidato Ratinho Junior que foi preterido por Richa que pendeu para o lado de Ricardo Barros e Cida Borghetti.

Para o Senado, dois candidatos poderão surpreender: Oriovisto Guimarães, que aparece como o novo, e o Delegado Francischini que aposta na onda positiva que vem beneficiando o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro.

Embora seja prematuro qualquer julgamento, o que ficou no ar, com a bombástica reportagem da revista Istoé é que o Paraná não é essa ilha de prosperidade e honestidade que o governo e a base aliada na Assembleia Legislativa vinha pregando.

Caixa dois é crime e o juiz Sergio Moro, que comanda o processo de denúncia, inclusive munido de áudio, não está para brincadeira. Se Richa foi beneficiado com R$ 2,5 milhões da empreiteira para campanha de 2014 e, em contrapartida, ofereceu benefícios envolvendo obras ou recursos públicos, terá que responder por isso.

O desastre, embora em seu início, promete ter dimensões inimagináveis. A começar pelo histórico político do jovem governador que foi prefeito da capital, herdando um legado eleitoral de seu pai, o ex-governador e democrata, José Richa.

Beto Richa que pretendia ficar quatro anos – isso já era dado como certo – no Senado para retornar ao Palácio Iguaçu, acaba de colocar em risco seu futuro. Soma-se a isso, denúncia da Operação Quadro Negro, de desvio de mais de R$ 20 milhões de obras em escolas públicas.

Quanto ao jornalista Deonilson Roldo que, à época em que dirigia a Folha de Londrina em Curitiba era carinhosamente chamado de “pingüim”, e depois se transformou no homem forte, espécie de primeiro ministro do governo, está no mesmo pacote.

 

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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