Opinião

Bolsonaro apresenta projeto da reforma da Previdência em meio a crise com vazamento de áudio

Esta não foi a primeira e nem será a última crise do governo do presidente Jair Bolsonaro. Mas foi induzida e desnecessária. O estilo militar do capitão acabou estimulando os ânimos principalmente dos congressistas. Deveria chamar o seu ex-braço direito na campanha, Gustavo Bebiano, para uma conversa reservada e acertar os ponteiros.  Inclusive com a demissão do ministro.



Não foi isso o que aconteceu. Vazou áudios de whats e  o problema tomou proporções que poderia ter sido ser evitado, justamente no momento mais delicado do governo onde, nesta quarta-feira, o presidente e sua equipe econômica levará ao Congresso Nacional o projeto de reforma da Previdência, que norteará os destinos do país.

Houve trocas de acusações entre Bolsonaro e Bebiano sobre suspeitas de que haveria candidaturas laranjas no PSL.  O ex-ministro sustenta que a responsabilidade por supostas irregularidades nas candidaturas em Pernambuco seria do deputado Luciano Bivar (PSL-PE), que comanda o diretório local. Bebianno afirma que o presidente está “envenenado”.manos).

Os áudios foram datados de 12 de fevereiro, terça-feira passada, foram publicados nesta terça-feira pelo site da revista Veja e confrontam a versão do presidente, que havia dito que o ex-ministro mentiu ao dizer que ambos haviam conversado naquela data.

Na conversa, Bolsonaro trata a TV Globo como “inimiga” e manda o agora ex-ministro cancelar uma audiência com um representante da direção da empresa, no Palácio do Planalto.

Bolsonaro disse em entrevista à Record TV que era mentira que eles houvessem mantido um diálogo antes da alta hospitalar.

As mensagens dão ideia do conjunto de razões para a demissão do ex-ministro, que, segundo a Presidência da República, foram de “foro íntimo” de Bolsonaro. O presidente é chamado por Bebianno de “capitão” ao longo do diálogo.

Bolsonaro irá ao Congresso Nacional entregar a proposta da reforma da Previdência . O texto prevê idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres dos setores público e privado, com 12 anos de transição para quem está próximo dessas idades.

O acordo foi resultado de uma negociação entre a equipe econômica e o presidente Bolsonaro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha pedido idade mínima unificada de 65 anos para homens e mulheres, para os trabalhadores dos setores público e privado.

Bolsonaro  também fará um pronunciamento à nação nesta quarta-feira quando explicará a necessidade de mudar as regras de aposentadoria e de que forma a proposta será discutida no Congresso.

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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