Colunista

Atentado à democracia

Uma das estratégias que fazem parte da retórica esquerdista tupiniquim é se apropriar da democracia como se esta fosse uma característica exclusiva de quem defende esta ideologia política. Não é um equívoco, é uma estratégia, como já afirmei. Na semana passada, Jefferson Lima de Menezes, militante petista, foi alvejado por um tiro no acampamento erguido pelos militantes petistas perto da Policia Federal em Curitiba, onde Lula está preso. Óbvio que se trata de um atentado, mas nada tem a ver com democracia nem a coloca à prova. O ato pode ser considerado até uma tentativa de homicídio, já que, mesmo que o atirador não tenha mirado num alvo humano fixo, sabia que ali havia pessoas e, portanto, havia chance real, como foi o que ocorreu, de acertar alguém. Trata-se de um crime comum, mas, para os petistas, é um atentado à democracia porque consideram os movimentos de apoio a Lula também de apoio à democracia, o que também não é só um equívoco, mas uma estratégia. Lula está preso cumprindo pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Crimes comuns do código penal que nada têm a ver com política. Mas o que seria então considerado atentado à democracia? Invasões de propriedades públicas ou privadas, tentativas de censura à imprensa e obstrução de investigações, por exemplo. Isto tudo é atentado à democracia e tudo isso faz parte da estratégia esquerdista para se manter no poder – considerando que a saída de Dilma Rousseff não significa que a esquerda foi alijada do poder, Michel Temer era seu vice e fazia parte da coligação que estava no poder desde 2003. Nos dois mandatos de Lula, o então presidente tentou – felizmente sem sucesso – por duas vezes regulamentar a imprensa, o que, na realidade, não passa de censura. Ele também sempre se solidarizou com as invasões rurais promovidas pelo MST e pelas invasões urbanas promovidas pelo MTST. Todas anticonstitucionais e antidemocráticas.



O atentado contra o acampamento da militância petista em Curitiba é grave e seu autor precisa ser punido por isto, mesmo que o acampamento seja ilegal e a vítima tenha um prontuário policial. Não interessa, nada justifica o ato violento. Mas o crime nada tem a ver com atentado à democracia. O que põe em risco a democracia é justamente a impunidade que os simpatizantes de Lula pregam para o chefe do Petrolão a quem tanto admiram.

*Maurício Reale Nogueira é jornalista e analista político

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