Política

Arns quer voltar a ser senador e dá a Marina ‘exército das Apaes’

Depois de ser do PSDB e do PT, ex-deputado federal agora tenta retornar ao Senado pela Rede

Flávio Arns: “A Reforma da Previdência não pode sair agora” (Foto: Franklin de Freitas)

Deputado federal por três mandatos pelo PSDB, depois eleito senador pelo PT e vice-governador de volta ao PSDB, o professor de 69 anos, formado em Letras, Flavio Arns, agora é expoente da Rede, partido criado pela ex-senadora Marina Silva há três anos. Historicamente ligado a movimentos de apoio a pessoas com deficiência, sobrinho de Zilda Arns e de dom Paulo Evaristo Arns, Flavio Arns levanta também a bandeira da Educação. Foi secretário da Educação por três anos no primeiro mandado do ex-governador Beto Richa (PSDB), período no qual destaca que houve avanços e conquistas, mas que também tem a marca de ter licitado obras que mais tarde apresentaram irregularidades investigadas na Operação Quadro Negro. “Houve falcatrua e quem cometeu a falcatrua deve ser exemplarmente punido”, diz. O fato que deve ser explorado por adversários na medida em que Arns eventualmente crescer na corrida eleitoral.
Em entrevista ao Bem Paraná, ele também comenta sua relação com a esposa do juiz Sergio Moro, Rosângela Wolf Moro, que já foi produto de fake news ou de legítimo questionamento. Arns garante ter base eleitoral sólida, uma rede de voluntários simpáticos à sua candidatura que deve marchar em campanha. “Chega ao ponto de as pessoas (voluntárias das Apaes) irem de casa em casa e anotarem a residência que não tinha ninguém para voltar depois”, conta um assessor. E é esse palanque que Flavio Arns oferece à Marina, que vem a Curitiba já nesta semana. Flavio Arns afirma que quer participar de debates históricos que estão por vir no Senado, tem posição sobre reformas e promete levar a sustentabilidade ao centro do debate. Adversários avaliam que ele “não tem nada a perder” e que “pode incomodar”.
Bem Paraná – Por que o senhor quer ser candidato, o seu partido o filiou para isso, e como tomou essa decisão?
Flavio Arns –
 O partido está inteirado dessa decisão e os debates continuam. Tem que continuar até o momento da homologação da candidatura. Porém é uma caminhada que foi bem recebida, as pessoas são muito receptivas, conheço a maior parte delas. Eu penso que no Senado nós temos uma grande possibilidade, particularmente neste momento da história do Brasil, de debatermos temas fundamentais para o País, em todas as áreas. Na segurança, estamos caminhando para termos um plano nacional de segurança pública envolvendo estados municípios. Na Educação também, novas perspectivas para a educação básica, para o ensino superior, como auxiliar as universidades estaduais, por exemplo, é um tema já antigo dentro do Congresso. Reforma trabalhista tem que ser revista em muitos aspectos.
BP – Como o senhor teria votado a reforma trabalhista?
Arns –
 Pensar e refletir sobre a lei trabalhista é algo fundamental. Temos condições novas, tecnoligias novas, trabalho a distância e uma série de coisas fundamentais que tem que estar previstas na legislação. Mas ao mesmo tempo há problemas tão sérios que houve o compromisso do presidente da República de enviar uma medida provisória para corrigir os equívocos da lei trabalhista em um conjunto de aspectos. Por incrível que pareça a medida provisória sequer foi apreciada. Aquele compromisso que havia de correção não foi cumprido e estão acontecendo, na minha opinião, verdadeiras aberrações dentro da lei trabalhista.
BP – A reforma da previdência é parte do debate eleitoral. Para o senhor, ela é necessária?
Arns –
 A reforma não deve ser feita por este governo, nem deve ser tentado voltar ao debate não só por problemas internos de legitimidade, de ética, de transparência do atual governo, mas por ser uma época totalmente inadequada para se pensar em uma mudança constitucional. E a gente não pode brincar com estas coisas, de suspender a intervenção no Rio de Janeiro por uma semana ou dez dias, o que seria totalmente inapropriado para uma mudança como a reforma da previdência para retomar o tema. É necessário chamar os setores para estudar bem. É uma conta que tem que fechar.
BP – Qual seria a postura da base de Marina Silva no Congresso Nacional?
Arns – 
Na política você tem que ter princípios. E a sociedade está querendo que o Brasil seja governado por princípios de maneira ética, democrática e o que Marina Silva vem colocando é que a gente tem que ter o programa de governo claro e conseguir pessoas competentes e capazes que consigam colocar esse programa em prática, sempre dialogando com a sociedade. E há gente boa na bancada, eu diria, de todos os partidos políticos que gostariam de participar de uma iniciativa de algo programático.
BP – É possível dizer que seria “de centro”?
Arns –
 Não diria que é de centro, direita ou esquerda. Eu, inclusive, não costumo usar as expressões. A Rede é Sustentabilidade. E sustentabilidade é articular o plano econômico sem prejudicar o meio ambiente e promover o ser humano. Quand tentou-se descontruir a candidatura de Marina usaram a peça gráfica de Dilma, dizendo ‘olhe, Dilam tem toda essa base no Congresso; Marina tem essa base pequeneninha’. E o que aconteceu depois, com toda ‘aquela base’ no Congresso?”
BP – O senhor foi filiado ao PSDB e ao PT e tem ainda trânsito em outros partidos. Por enquanto a Rede ainda não fechou alianças?
Arns – 
Por enquanto ainda não existe essa discussão. Eu já estive no PSDB, fui eleito deputado federal três vezes pelo PSDB. E tenho muitos amigos no PSDB. Mas tenho também um reconhecimento também do PT. Voltei para o PSDB onde fui eleito vice-governador. O pessoal da sociedade é muito político, porém, não partidário.
BP – O senhor não acha que confunde o eleitorado por trocar de partidos?
Arns –
 Eu diria que os partidos precisam de uma maneira geral se reciclar para que a sociedade saiba o que um partido apregoa e defende. ‘Vou votar neste partido porque ele tem as bandeiras com as quais eu me acho sintonizado. Essa é uma caminhada que não existe no Brasil. Porém, é necessário que seja feito isso. Os partidos também precisam se reorganizar. Durante toda minha vida eu defendi certas bandeiras. E não foi pelo fato de eu estar no PT ou no PSDB ou na Rede que mudei qualquer das minhas bandeiras.
BP – O senhor foi secretário de Educação no Governo Beto Richa e irregularidades foram apontadas na Operação Quadro Negro sobre a execução de obras de escolas que foram licitadas em sua gestão. O senhor acha que isso pode ser usadao na campanha?
Arns – 
Não tive qualquer conhecimento de irregularidades porque se eu tivesse tido qualquer conhecimento seria a primeira pessoa a pedir  investigação, a fazer a investigação. Na Operação Quadro Negro nós conseguimos os recursos para 23 escolas, quase 100 milhões de reais para construir escolas em nosso Estado. Em grande parte dessas escolas a licitação foi feita no nosso período. Porém, a execução, o pagamento não foi feito em nosso período. A gente lamenta que isso (desvios investigados na Quadro Negro) tenha acontecido, porque pessoas muito dedicadas e qualificadas, de cuja reputação na Educação não devem de maneira alguma  ser manchada.
BP – Alguns grupos defendem que o senhor é o elo de ligação do juiz Sergio Moro com o PSDB. O que disso é verdade?
Arns –
 Fui presidente nacional das Apaes durante seis anos. E a federação das Apaens, tanto do Paraná, quanto do Brasil, têm a procuradoria jurídica, indicada pelo conselho de administração. E aqui no Paraná  e no Brasil a procuradora jurídica das associações é a doutora Rosângela Wolf Moro. Sim, eu a conheço bastante bem, gosto muito do trabalho dela, uma pessoa muito competente no que faz e com ideiais bem precisas do que são direitos que devem ser respeitados. Nós nunca tivemos um vínculo, assim, no meu gabinete. A indicação para o cargo precisa ser homologada pelo conselho. No caso do Paraná o movimento é muito estruturado, está em 350 municípios.



Bem Paraná

 

 

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