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Agente de cadeia diz que sentiu medo: ‘No meio de 150 ladrões é difícil’

Rebelião durou 12 horas. Servidor foi rendido quando retirava o lixo de uma galeria e teve um dedo quebrado

Cadeia de Ibaiti foi incendiada e destruída pelos presos (Carla Yarin/RPC)

O agente de cadeia que foi feito refém por presos durante a rebelião na cadeia de Ibaiti, conta que antes de ser pego pelos detentos ele tentou se esconder em um banheiro da delegacia, mas foi localizado.



Ele não esconde o medo que sentiu no período que ficou sob o poder dos internos. “A gente fica com medo, a situação é complicada. Você no meio de 150 ladrões é difícil”, diz.

A rebelião começou por volta das 21h de terça-feira (14) e terminou às 9h desta quarta-feira (15). Segundo a Polícia Civil, 28 presos conseguiram fugir após o motim. Os detentos atearam fogo na delegacia, apenas duas salas do prédio não foram destruídas.

O homem, que pediu para não ser identificado e teve um dedo quebrado, contou que estava retirando o lixo de uma galeria, como é feito todas as noites, quando foi rendido. Ele diz que uma fechadura de uma cela estava quebrada, dessa forma os internos conseguiram escapar.

“Consegui me esconder. Ouvi eles [presos] quebrando a cadeia, e depois de uns 40 minutos eles me acharam. Disseram que nada ia acontecer comigo porque o objetivo da rebelião era resolver o problema da superlotação. Achei que algo pior poderia acontecer”, lembra o agente.

A cadeia tem capacidade para aproximadamente 30 internos, mas abrigava em 161. O agente diz que já se esperava uma rebelião dessa dimensão, por causa da superlotação.

“O estado precisa prestar mais atenção na situação da rede carcerária, está um perigo. Dessa vez tive sorte”, finalizou o agente.

Por causa dos danos, a direção da Polícia Civil informou que 33 detentos serão transferidos para uma unidade prisional em Cornélio Procópio e os demais permanecerão em Ibaiti.

G1 PR

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