Domingo, 24/09/2017

Cidades 19/04/2017 - Luiz Guilherme Bannwart


Risco de desabamento provoca interdição de salas no Rio Branco


Momento em que Corpo de Bombeiros fazia o isolamento do bloco interditado pela Defesa Civil - Antônio de Picolli/Tribuna do Vale
Um laudo técnico apresentado pela P.R.P Empreendimentos e Construção Civil Ltda EPP, de Londrina, determinou a interdição imediata de cinco salas de aula no Colégio Estadual Rio Branco, em Santo Antônio da Platina, por risco de desabamento da estrutura. A avaliação foi solicitada junto à Secretaria Estadual de Educação a pedido do Núcleo Regional de Educação de Jacarezinho em outubro do ano passado, após grande mobilização por parte da direção do colégio, professores, pais e alunos, e a intervenção do Ministério Público Estadual (MP-PR) em consequência de graves infiltrações no solo que estariam comprometendo o prédio do estabelecimento de ensino. No entanto, houve atraso no processo de licitação e a contratação da empresa responsável só foi possível há poucos dias.

Conforme o estudo apresentado pela P.R.P Empreendimentos e Construção Civil Ltda EPP na quarta-feira, 12, aos órgãos competentes, “trata-se de um problema generalizado na estrutura de concreto, baixa qualidade na execução das mesmas, deficiência na cobertura das armaduras e concretagem com emendas mal executadas que proporcionaram vazio na concretagem (sic)”. O laudo complementa. “Temos a edificação sofrendo de grave recalque nas fundações, e o ensaio de SPT (sondagem à percussão) demonstra que o solo tem baixíssima coesão nas camadas iniciais, o que agrava muito a situação das já deficitárias peças ensaiadas no que tange a segurança estrutural, o que requer interdição imediata da área específica”, conclui o documento.

Na manhã desta quarta-feira, 19, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil interditaram as cinco salas de aula no bloco onde foi detectado o problema, a pedido do Núcleo Regional de Educação em Jacarezinho. De acordo com a chefe do órgão, Magda Cristina Souza Nogueira, não há razão para pânico e os alunos não serão prejudicados. “A medida é preventiva. Esse bloco foi construído em 1990, e nos últimos anos vem apresentando problemas. A partir desse estudo será realizada uma licitação para contratar a empresa responsável pela reconstrução da estrutura orçada em R$ 1 milhão. Porém, ainda não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos. Durante o período os alunos irão ocupar outras repartições no próprio colégio”, explica.

No ano passado, a Promotora de Justiça Kele Cristiani Diogo Bahena do Núcleo do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa solicitou um laudo técnico para avaliar a necessidade de interdição total ou parcial do colégio. O estudo, no entanto, descartou a possibilidade à época.

Transtornos

De acordo com a diretora Ana Maria do Prado Valdivieso, os problemas estruturais têm provocado muitos transtornos à direção do colégio e aos alunos, que segundo avalia serão ainda mais prejudicados por conta da interdição das salas de aula. “Estamos sem uma resposta concreta desde o ano passado. Há muita promessa, mas infelizmente as coisas não saem do papel. No período de matriculas fomos bastante questionadas pelos pais quanto à segurança do imóvel e não sabíamos mais o que dizer a eles, pois estão desacreditados”, pondera. “Com a interdição das cinco salas de aulas teremos que promover uma série de mudanças, afinal são 125 alunos para serem realocados. A partir de amanhã, por exemplo, três turmas do Curso de Formação de Docentes passam a utilizar repartições do Tiro de Guerra para poder estudar”, revela.

A diretora auxiliar Sônia Aparecida Pires explica que “os problemas vão além das simples realocações dos alunos”. “Parte do Laboratório de Informática será ocupado por esses alunos que ‘perderam’ suas salas de aula. Com isso outras turmas serão prejudicadas, assim como ocorreu após a demolição do Laboratório de Biologia e do refeitório. Os equipamentos estão todos empilhados em uma sala sem utilidade e os alunos fazem as refeições debaixo de sol e chuva por falta de um espaço adequado”, reclama.

A chefe do Núcleo Regional de Educação em Jacarezinho, Magda Cristina Souza Nogueira, informou que o dinheiro para a reconstrução das repartições demolidas está “carimbado”, assim como o recurso para as obras necessárias no bloco “condenado” pela P.R.P Empreendimentos e Construção Civil.


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