Sexta, 15/12/2017

Policial 06/12/2017 - Luiz Guilherme Bannwart


Polícia abre investigação para apurar se morte de professora ocorreu por atraso em atendimento no Pronto Socorro

Maria das Dores Ferreira Gonçalves faleceu após seis horas de agonia na recepção da unidade


Dona Maria das Dores faleceu após aguardar mais de oito horas por atendimento médico - (Arquivo da família)
A Polícia Civil instaurou inquérito nesta quarta-feira (6) para investigar se a morte da professora Maria das Dores Ferreira Gonçalves, do distrito Conselheiro Zacarias, ocorreu em consequência de atraso no atendimento médico no Pronto Socorro de Santo Antônio da Platina.

De acordo com o delegado Tristão Antônio Borborema de Carvalho, titular da 38ª Delegacia Regional de Polícia, a abertura das investigações foi motivada pela matéria publicada na sexta-feira (1), pela Tribuna do Vale e pelo Portal Tanosite.com, em que o marido da vítima, o agricultor Nelson Luiz Gonçalves, 71, denuncia os graves problemas ocorridos na unidade, e que segundo ele, resultaram na morte de sua mulher.

Conforme o delegado, o objetivo do inquérito policial é apurar as circunstâncias da morte da professora, avaliar o protocolo e responsabilidade médica, a ficha clínica da paciente e o histórico de atendimentos no plantão médico em questão. “O resultado das investigações será encaminhado para o parecer médico legal do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Instituto Médico Legal (IML), e posteriormente ao Ministério Público”, explica Tristão de Carvalho.

A morte da professora Maria das Dores Ferreira Gonçalves não é o primeiro caso em que parentes questionam o protocolo de atendimento no Pronto Socorro de Santo Antônio da Platina. A demora nas consultas médicas tem gerado uma ‘enxurrada’ de reclamações e denúncias em relação ao método adotado pela Secretaria Municipal de Saúde, desde o início deste ano.

Relembre o caso

Segundo o agricultor Nilson Gonçalves, dona Maria das Dores faleceu depois de agonizar por longas oito horas, das quais, seis no Pronto Socorro de Santo Antônio da Platina, e mais duas horas esperando a UTI Móvel do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Jacarezinho. “Mataram minha mulher, meu grande amor, por falta de atendimento”, desabafou emocionado.

Ele conta que chegou ao Pronto Socorro por volta das 3 horas da madrugada, ali permanecendo sem atendimento até às 9 horas da manhã. “Quando atenderam minha esposa, ela apresentava pressão arterial 6 por 4. Ela já apresentava dificuldade de entender o que estava acontecendo a sua volta por falta de oxigênio no cérebro. Ao perceberem a gravidade da situação, foi aquele corre-corre. Entubaram minha mulher e chamaram a UTI móvel do Samu, que demorou duas horas para chegar ao Pronto Socorro. Ela deu entrada às 11h30 na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) da Santa Casa de Jacarezinho. Menos de uma hora após, ela estava morta. Se ela tivesse sido socorrida há tempo estaria ao meu lado hoje, viva!”, desabafou em meio às lagrimas.

O agricultor disse ainda que, não bastasse seu desespero pelo estado de saúde da esposa, ainda teve que suportar a agressividade e arrogância de um enfermeiro que o teria abordado de forma ríspida e agressiva, e finalizou contando que, durante três anos e meio ele acompanhou a mulher nas sessões de hemodiálise que fazia no Instituto do Rim de Santo Antônio da Platina, sonhando com sua recuperação total, mas que “a irresponsabilidade criminosa abortou seus sonhos”.



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