Quarta, 26/04/2017

Educação 20/04/2017 - Tribuna do Vale


Baleia Azul: Educação, Saúde e Ministério Público se mobilizam


Magda Nogueira: “Os jogadores precisam de ajuda” - Antônio de Picolli / Tribuna do Vale
O Núcleo Regional da Educação, a 19ª Regional de Saúde, ambos com sede em Jacarezinho, e o Ministério Público do Paraná estão em estado de alerta em relação aos riscos oferecidos pelo jogo virtual Baleia Azul, que tem levado crianças, adolescentes e jovens a praticar o autoflagelo e até mesmo o suicídio por meio de 50 desafios.

Os dois órgãos – Educação e Saúde - já notificaram suas unidades regionais para que fiquem atentas ao comportamento das pessoas que integram o chamado grupo de risco (crianças, adolescentes e jovens, geralmente com problemas comportamentais).

A chefe do NRE, professora Magda Cristina Nogueira disse que a direção de todos os colégios estaduais existentes nos 12 municípios da abrangência do órgão já estão dedicando atenção especial aos alunos e também alertando os pais sobre os perigos do jogo. “O jogo é perigoso e os riscos são reais. Os jogadores estão entre nós e precisam de ajuda”, alertou.

Segundo Magda, a Secretaria Estadual da Educação enviou recomendação específica aos Núcleos sobre as medidas que devem ser tomadas. “Recomendamos aos gestores das escolas, docentes, funcionários e pais atenção especial no fortalecimento de mecanismos de proteção nas escolas. Entre os sinais de alerta podemos citar mudanças de comportamento dos estudantes, com o isolamento, alteração no humor, de rotina, vestimentas, marcas no corpo, atitudes de autoflagelo, tatuagens”, explicou a chefe do NRE.

Segundo ela, é fundamental que os pais sejam alertados para que eles também observem o comportamento dos filhos e façam acompanhamento sistemático deles quanto às suas atividades na internet, principalmente, acesso a jogos e redes sociais. “São portas abertas para entrada livre dealiciadores”, avisou.

Denunciar é importante – Segundo Magda, assim que pais ou professores detectarem alguns dos sinais de alerta, é preciso denunciar. “Familiares e professores podem avisar que algo está errado diretamente à direção da escola ou aos pedagogos. As denúncias também podem ser feitas através do Sistema de Denúncia da Ouvidoria da SEED, pelo endereço eletrônicowww.seed.pr.gov.br/ouvidoria , que irá auxiliar no encaminhamento da questão com apoio de órgãos competentes . As autoridades locais também poderão ser informadas dos casos constatados”, adiantou.

Segundo Magda, até o momento nenhum colégio dos 12 municípios da região detectou algo nesse sentido. “Li uma reportagem dizendo que um diretor de uma escola de Jacarezinho estava sabendo de algo em seu estabelecimento, mas ele não entrou em contato com o Núcleo, e a matéria jornalística não o identificou. O correto é notificar o Núcleo imediatamente”, salientou a chefe.

Órgãos de Saúde devem notificar sinais

A Secretaria Estadual de Saúde também enviou recomendações às Regionais de Saúde para que orientem todas as secretarias municipais, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Centros de Atendimento Psicossociais (CAPS), Centros de Referência à Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAs) para ficarem atentos aos sinais físicos e psicológicos de pacientes que possam estar participando do jogo Baleia Azul.

Segundo a direção da 19ª Regional de Saúde, o Estado enviou uma nota técnica esclarecendo as equipes de Saúde como agir caso se deparem com vítimas do jogo. Todos os órgãos devem conhecer os 50 desafios proposto pelo game. Entre as orientações, a nota técnica enumera vários itens a serem observados, como a automutilação, comportamento suicida, tatuagens estranhas, desenhos de baleias, alterações de humor entre outros.

Os casos suspeitos devem ser notificados aos superiores. Uma das medidas recomendadas é o acompanhamento psicológico do jogador e sua convivência familiar.

Também se colocou à disposição da saúde pública o Centro de Valorização à Vida por meio do telefone 141.

Ministério Público pede aos pais que fiquem atentos

Preocupado com a situação, o Ministério Público do Paraná também emitiu um alerta aos pais para que redobrem os cuidados com os filhos, principalmente adolescentes, adotando uma postura preventiva.

A promotora de Justiça Luciana Linero, que atua no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (Caop) da Criança e do Adolescente e da Educação do MPPR – Área da Criança e do Adolescente lembra que ser pai ou mãe de adolescentes, por si, já exige mais, pois essa é uma fase em que naturalmente as pessoas tendem a apresentar um comportamento mais rebelde e vontade mais acentuada de transgredir regras. Além disso, ela comenta que os casos de depressão na adolescência, que podem deixar a pessoa mais suscetível a participar desse tipo de desafio, também têm se tornado mais comuns nos últimos anos.

Nesse sentido, ela alerta para a importância de os pais tentarem se aproximar mais dos filhos e ressalta a importância do diálogo. Da mesma forma, é fundamental que sejam identificados, de modo precoce, sinais de que os jovens possam estar com quadros depressivos ou participando de jogos nocivos, como o Baleia Azul. “Se os pais estiverem atentos, poderão notar mudanças de comportamento, como agressividade, isolamento, tristeza exagerada, ansiedade, cortes e mutilações, gosto súbito por filmes de terror, alterações de sono e distúrbios alimentares. Tudo isso pode ser revelador de um estado atípico e que requer cuidados especiais.”

Em caso positivo, a promotora recomenda que os pais procurem apoio de profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras, dependendo do caso. Pontua ainda que os casos associados ao jogo Baleia Azul devem ser comunicados à polícia, já que, em geral, denotam práticas criminosas.

50 DESAFIOS

Jogo macabro induz ao suicídio

O jogo Baleia Azul propõe ao jogador 50 desafios macabros que vão desde a automutilação até o suicídio. O game funciona como uma espécie de "siga o mestre" - quem dita as regras e propõe os desafios é um mentor, o qual envia aos participantes mensagens com instruções do que fazer e solicita fotos como prova do cumprimento das tarefas.Os jogadores geralmente são crianças e adolescentes, que, além de estarem mais suscetíveis a influências de terceiros, passam mais tempo em redes sociais.Tudo começa de maneira "leve" - no início, são delegadas aos jogadores tarefas como assistir a filmes de terror, ouvir músicas psicodélicas e desenhar uma baleia azul em um papel. Com o passar dos dias, os adolescentes chegam a ser desafiados a se pendurarem em lugares altos e se automutilarem, ou até tirarem a própria vida.

Ao que tudo indica, o jogo Baleia Azul teve início na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos cumpriu a última tarefa e pulou do alto de um edifício. Dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Os episódios fizeram as autoridades do País começarem uma investigação que ligou os incidentes a um grupo que participava de um desafio com 50 missões.

A preocupação com o jogo aumentou no ano passado, quando diversas fontes divulgaram, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades virtuais identificadas como "grupos da morte". Diversos países, como a Inglaterra, França e Romênia têm enviado alertas aos pais depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços e sinais de mutilação.

No Brasil, uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa na região central de Vila Rica, a cerca de 1.200 km de Cuiabá. A principal suspeita da polícia é a de que a jovem, que apresentava cortes nos braços, participava do jogo da Baleia Azul. A polícia brasileira também investiga a participação de alunos de João Pessoa em grupos de automutilação e morte, além das denúncias de que os curadores do game estariam ameaçando os jovens que tentassem desistir dos desafios. Jogos que apresentam riscos letais viraram moda entre muitos adolescentes. No ano passado, um garoto de 13 anos morreu após se enforcar na casa do pai, no litoral sul da capital paulista. (Site Terra)





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