Terça, 23/05/2017

Cidades 13/04/2017 - Luiz Guilherme Bannwart


Abaixo-assinado pede saída de médica do Pronto-Socorro

Documento contesta atendimento prestado à professora Thaís Tinto, que morreu uma semana depois


Amanda Rosa contesta atendimento prestado pela médica Adriana Spainer à professora Thaís Tinto no Pronto-Socorro - (Antônio de Picolli)
Um abaixo-assassinado criado pela professora Amanda Nogueira Rosa, de Santo Antônio da Platina, pede a interdição da médica Adriana Spainer dos serviços prestados no Pronto-Socorro Municipal em consequência da “má conduta médica, desrespeito, falta de humanidade e ética profissional”. O documento foi embasado no atendimento prestado pela médica à também professora Thaís Hamada Tinto, que por conta da complicação em seu quadro clínico acabou falecendo uma semana depois na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Jacarezinho.

Segundo a responsável pelo documento, Thaís Tinto compareceu ao Pronto-Socorro na manhã do dia 28 de fevereiro se queixando de intensa dor abdominal e febre, porém, não foi atendida pela equipe de plantão. A professora então procurou a Polícia Militar para registrar um boletim de ocorrência, mas foi orientada a retornar ao PS.

Novamente na unidade, Thaís acabou sendo atendida pela médica Adriana Spanier por volta das 10h30. Conforme o abaixo-assinado, uma enfermeira teria informado a paciente que a demora se deu em consequência ao atraso da profissional para assumir o turno.

Diagnosticada com amigdalite, a professora foi medicada e recebeu alta. No entanto, na quinta-feira, 2, seu estado de saúde se agravou e ela retornou ao Pronto-Socorro em busca de ajuda, mas novamente, segundo a denunciante, houve demora no atendimento médico. Devido às dores abdominais intensas, Thaís perdeu a capacidade de raciocínio e de tomar decisões. Atendida pela mesma médica que havia lhe consultado há dois dias, a paciente foi medicada e mantida em observação em um leito da unidade por 24 horas, porém sem diagnóstico.

Na opinião da professora Amanda Rosa houve falha grave na classificação do protocolo de atendimento da paciente. “Mesmo apresentado dores abdominais intensas e febre alta há três dias, a doutora não a encaminhou para um especialista ou para a realização de exames de imagem, o que demonstra que ela não avaliou o caso com a devida urgência/emergência. A Thaís recebeu soro com medicação para dor e foi mantida em observação, porém, em nenhum momento foi apresentado a ela ou à família um diagnóstico sobre seu quadro clínico. Somente na manhã seguinte é que foi realizada uma tomografia, quando a situação já era considerada extremamente grave pelos próprios médicos do hospital”, conta.

A professora foi levada às pressas ao centro-cirúrgico do hospital, onde a equipe médica diagnosticou infecção generalizada na cavidade abdominal da paciente em consequência de um abscesso no ovário. Thaís foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Jacarezinho, onde acabou falecendo uma semana depois.

O caso foi denunciado ao Conselho Regional de Medicina (CRM) na semana passada pela professora Amanda Nogueira Rosa, que pretende reunir o número necessário de assinaturas no abaixo-assinado que elaborou para afastar a profissional do Pronto-Socorro. “Por que a Thaís não foi internada de maneira digna e não foi solicitado um especialista em tempo hábil? Se ela pagou pelos exames de diagnóstico, por que os mesmos não foram solicitados na terça-feira (28/02) ou realizados na quinta-feira (02/03)? Isso não pode continuar acontecendo dentro do Pronto-Socorro”, pondera.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a médica Adriana Spainer informou que estaria impedida de conceder entrevista por conta de uma circular baixada pelo Executivo. No entanto, após analisar o documento enviado em seu e-mail pelo Portal Tanosite a profissional se limitou em dizer que o abaixo-assinado “não condiz com verdade”. “Esse relatório (abaixo-assinado) não condiz com o que realmente aconteceu. Sequer sei por quem foi elaborado. Mediante todos os prontuários, relatórios de enfermagem, dias e horários de atendimento, exames solicitados, nada condiz com que foi escrito”, esclarece. “Não posso dar mais detalhes no momento, pois estou trabalhando e não fui autorizada a fazer isso. Mas em outra ocasião, se possível, o farei, assim como tomarei as devidas providências”, complementa.






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